Você já viu um veado preto na sua cidade? O que durante décadas foi tratado como relato popular entre moradores e pescadores do Pantanal agora ganhou registro científico. Pesquisadores documentaram, pela primeira vez, exemplares de cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) com pelagem extremamente escura, uma condição conhecida como melanismo.
Os registros foram obtidos durante trabalhos de monitoramento da fauna realizados com drones e armadilhas fotográficas. Uma fêmea foi registrada no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, enquanto dois machos foram identificados no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, área localizada entre Minas Gerais e Bahia.
O cervo-do-pantanal normalmente apresenta pelagem em tons de castanho-avermelhado. Nos indivíduos melânicos, a coloração é muito mais escura, podendo parecer preta dependendo da distância e das condições de observação.
O que é o melanismo?
O melanismo está relacionado à produção elevada de melanina, pigmento responsável pela coloração escura dos pelos e da pele. No caso dos cervos-do-pantanal registrados, entretanto, os pesquisadores ainda investigam a origem e as implicações dessa característica. Portanto, não é possível afirmar que uma causa genética específica já tenha sido comprovada para esses animais.
A descoberta chama atenção porque relatos sobre os chamados “veados pretos” já circulavam há décadas no Pantanal. A confirmação científica mostra que essas histórias tinham como base animais reais, embora extremamente raros.
O estudo com os primeiros registros de melanismo na espécie foi realizado por pesquisadores ligados à Onçafari e à Embrapa Pantanal e publicado na revista científica Notas sobre Mamíferos Sudamericanos.
A ocorrência também desperta interesse para a conservação da espécie. O cervo-do-pantanal enfrenta diferentes ameaças em sua área de distribuição, e algumas populações estão em situação especialmente delicada, como a encontrada no Cerrado.
A descoberta reforça que, mesmo entre espécies conhecidas da fauna brasileira, ainda existem características pouco documentadas pela ciência. O chamado “veado preto”, antes presente principalmente em relatos locais, agora faz parte dos registros científicos da biodiversidade brasileira.
