Produção de açaí cresce 14 vezes no Pará, movimenta R$ 8,8 bilhões e ganha protagonismo com posicionamento de Keniston Braga sobre desenvolvimento, emprego e sustentabilidade.
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| Diomar Araújo, 53 anos, colhe o açaí que será batido por Daniela e vendido na comunidade Pirocaba |
O açaí deixou de ser apenas um alimento tradicional para se transformar em um dos principais motores econômicos do Pará. Dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas mostram um salto impressionante na produção, que saiu de 145,8 mil toneladas em 1987 para 1,9 milhão de toneladas em 2024. Um crescimento de 14 vezes que revela a força de um produto que nasceu na base da cultura amazônica e hoje ocupa posição estratégica na economia.
O Pará domina o cenário nacional com ampla vantagem, concentrando 89,5% de toda a produção brasileira de açaí. Estados como Amazonas e Amapá aparecem bem atrás, enquanto municípios como Igarapé-Miri, Cametá e Anajás lideram internamente, puxando a produção e consolidando o protagonismo regional. O Pará não apenas produz açaí. Ele dita o ritmo do mercado.
Esse avanço se reflete diretamente na economia. Em três décadas, o valor gerado pelo açaí saltou de R$ 509,7 milhões para R$ 8,8 bilhões, garantindo ao estado mais de 93% de participação no valor total da produção nacional. Cada litro carrega mais do que sabor. Carrega renda, história e desenvolvimento para milhares de famílias.
A cadeia produtiva também se expandiu de forma expressiva. O número de estabelecimentos produtores cresceu de pouco mais de 5 mil para mais de 81 mil ao longo dos anos, gerando cerca de 4.763 empregos diretos e indiretos. Do campo ao consumo final, o açaí movimenta transporte, beneficiamento e comércio. Não é apenas um fruto. É uma engrenagem econômica completa.
No mercado internacional, o crescimento chama atenção. As exportações passaram de pouco mais de US$ 300 mil no início dos anos 2000 para US$ 127,8 milhões em 2024. O valor da tonelada também disparou, saindo de US$ 1,1 mil para US$ 3,6 mil. O açaí cruzou fronteiras e conquistou o mundo.
Além da força econômica, o impacto ambiental reforça ainda mais sua relevância. O cultivo do açaí tem contribuído para o reflorestamento e a captura de carbono. A área plantada saltou de 135 mil para 252 mil hectares entre 2015 e 2024, com capacidade de capturar cerca de 907 mil toneladas de CO₂. Produzir, neste caso, também significa preservar. Na Amazônia, desenvolvimento e floresta podem caminhar juntos.
O deputado federal Keniston Braga destaca que esse crescimento exige planejamento e investimento. Segundo ele, o açaí representa identidade cultural, geração de renda e oportunidade econômica. A defesa passa por fortalecer a cadeia produtiva, investir em tecnologia, melhorar a logística e ampliar políticas públicas voltadas ao setor. Valorizar o açaí é valorizar o Pará.
O fruto que nasceu na floresta hoje sustenta famílias, movimenta bilhões e ganha espaço global. Da raiz amazônica para o mundo, o açaí se consolida como um dos maiores símbolos de desenvolvimento sustentável do Brasil.
Informações Fapesa
