Deputado Keniston Braga defende que o Brasil aproveite as reservas de terras raras do Pará para desenvolver indústria, tecnologia e inovação no país.

Deputado federal Keniston Braga (MDB-PA). Foto: pt.wikipedia.org/wiki/Keniston_Braga

A transformação tecnológica que marca o século XXI tem mudado profundamente a economia mundial. Tecnologias como inteligência artificial, carros elétricos e energias renováveis dependem de minerais específicos para funcionar — e entre os mais importantes estão as chamadas terras raras.
Esse conjunto de 17 elementos químicos é essencial para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia. Turbinas eólicas, baterias de veículos elétricos, motores industriais e diversos componentes eletrônicos utilizam esses minerais em sua composição. Com o crescimento dessas tecnologias, a demanda global por terras raras aumentou significativamente nos últimos anos.
Nesse cenário, o Brasil passou a chamar mais atenção por causa de seu potencial mineral. O país possui uma das maiores reservas conhecidas desse tipo de recurso no planeta. Parte importante desse potencial está localizada na região amazônica, especialmente no estado do Pará.
No Congresso Nacional, o assunto começa a ganhar cada vez mais espaço nas discussões sobre desenvolvimento econômico e inovação industrial. Um dos parlamentares que tem defendido o tema é o deputado federal Keniston Braga (MDB-PA), que argumenta que o país precisa avançar em planejamento para aproveitar melhor suas riquezas minerais.
Segundo o parlamentar, o Brasil não pode continuar apenas exportando matéria-prima. Para ele, é necessário investir em tecnologia, pesquisa e processamento industrial para que os minerais extraídos no país também sejam transformados em produtos de maior valor agregado.
“O Brasil precisa transformar suas reservas em desenvolvimento econômico, inovação e geração de empregos qualificados”, tem defendido o deputado em debates no Congresso.
O potencial do Pará
Dentro desse debate, o Pará aparece como uma das regiões mais promissoras do país para o desenvolvimento desse setor. Estudos do Serviço Geológico do Brasil indicam a presença de terras raras principalmente no sudeste do estado, em áreas ligadas à província mineral de Serra dos Carajás.
Nessas regiões, esses minerais costumam estar associados a outros recursos já explorados pela mineração, aparecendo muitas vezes como subprodutos de atividades existentes. Entre os elementos encontrados estão lantânio, cério, neodímio e praseodímio, minerais importantes para a produção de ímãs de alta potência utilizados em tecnologias modernas.
Apesar do grande potencial, muitos projetos ainda estão em fase inicial de pesquisa mineral. Especialistas afirmam que o desenvolvimento dessa área exige investimentos elevados, tecnologia avançada e cuidados ambientais rigorosos.
Planejamento para o futuro
O crescimento da demanda mundial por esses minerais fez com que o governo brasileiro começasse a discutir uma estratégia nacional para o setor. O Ministério de Minas e Energia iniciou estudos para estruturar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva das terras raras no país.
A ideia é criar condições para que o Brasil participe não apenas da extração desses minerais, mas também das etapas de processamento e produção industrial.
Para Keniston Braga, esse planejamento é fundamental para evitar que o país repita um modelo econômico baseado apenas na exportação de recursos naturais sem agregação de valor.
Desafios e oportunidades
O avanço desse setor também levanta discussões importantes sobre sustentabilidade e desenvolvimento regional, principalmente na Amazônia.
A exploração mineral em áreas sensíveis exige planejamento ambiental rigoroso e diálogo com as comunidades locais. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o setor pode gerar oportunidades de investimento, inovação e geração de empregos qualificados.
Autoridades do Governo do Pará defendem que eventuais projetos ligados às terras raras priorizem a industrialização dentro do próprio estado, ampliando os benefícios econômicos para a região.
Hoje, o Pará já ocupa posição de destaque no cenário internacional pela produção de ferro e bauxita. Grande parte dessa produção, no entanto, ainda é exportada sem processamento industrial.
Com a crescente importância das terras raras na economia global, surge uma nova pergunta para o futuro do estado e do país: o Brasil continuará apenas fornecendo matérias-primas ou passará a integrar as cadeias industriais que sustentam as tecnologias do século XXI?
Essa decisão, segundo especialistas, dependerá das políticas públicas adotadas nos próximos anos, dos investimentos em pesquisa e da capacidade do país de transformar suas riquezas naturais em desenvolvimento tecnológico e industrial.