Entenda o que é o Cellebrite UFED, onde foi criado, quem pode utilizar a tecnologia, como funciona a contratação e quanto órgãos públicos brasileiros já pagaram por soluções de perícia digital.
Tecnologia de origem israelense é utilizada para extração e análise de dados digitais em investigações; contratação envolve licenciamento e soluções específicas
O avanço dos smartphones transformou os aparelhos celulares em importantes fontes de evidências para investigações. Mensagens, fotografias, vídeos, documentos, registros e outros dados podem ajudar na apuração de crimes e na reconstrução de acontecimentos.
Nesse cenário, ferramentas de perícia digital passaram a ter papel relevante. Uma das tecnologias mais conhecidas nesse segmento é o Cellebrite UFED, desenvolvido pela empresa israelense Cellebrite.
A companhia foi fundada em 1999 e possui sua sede corporativa em Petah Tikva, Israel. A Cellebrite entrou no segmento de perícia móvel em 2007, quando introduziu o UFED, sigla relacionada a Universal Forensic Extraction Device. (Cellebrite)
O que é o Cellebrite UFED
O UFED é uma solução destinada à extração forense de dados de dispositivos móveis.
Segundo a própria Cellebrite, a tecnologia permite coletar dados de dispositivos para utilização em investigações digitais. A empresa informa que, desde sua entrada no setor de perícia móvel, mais de 60 mil licenças UFED foram implementadas internacionalmente, em 150 países. (Cellebrite)
A ferramenta não deve ser confundida com um aplicativo comum para celulares. Trata-se de uma tecnologia profissional utilizada em processos de investigação e análise de evidências digitais.
Como funciona a perícia
Em uma investigação, o dispositivo pode conter informações relevantes para o caso. A ferramenta de perícia pode ser utilizada para realizar procedimentos de extração, conforme as características técnicas do aparelho e os recursos disponíveis.
A Cellebrite afirma que o UFED pode realizar diferentes tipos de extração, incluindo dados físicos e lógicos, e que determinadas soluções podem trabalhar com informações protegidas por mecanismos de segurança. (Cellebrite)
Entretanto, isso não significa que o programa consiga acessar qualquer celular em qualquer circunstância.
A capacidade de extração depende de fatores como modelo do dispositivo, sistema operacional, versão de segurança, estado do aparelho e tecnologia disponível para aquela situação.
Por esse motivo, afirmações de que o Cellebrite "desbloqueia qualquer celular" são imprecisas.
O programa recupera dados apagados?
A Cellebrite afirma que o UFED possui recursos capazes de recuperar determinados dados excluídos em situações compatíveis com a tecnologia utilizada. (Cellebrite)
Isso, porém, não significa que qualquer arquivo apagado de um celular possa necessariamente ser recuperado.
O resultado depende das características do dispositivo e da forma como os dados foram armazenados, modificados ou removidos.
Quem utiliza a tecnologia
A Cellebrite informa que suas soluções são utilizadas por órgãos de segurança pública, governos e empresas, além de profissionais envolvidos em investigações digitais. Atualmente, a companhia afirma ter milhares de clientes nesses segmentos em diferentes países. (Cellebrite)
A empresa também mantém políticas específicas de licenciamento e controle de clientes.
Em sua página institucional, a Cellebrite afirma que vende sua tecnologia somente para empresas, órgãos e agências que atendam aos termos estabelecidos em seu contrato de licença de usuário final. A companhia também informa que possui restrições para países sujeitos a determinadas sanções. (Cellebrite)
Portanto, não se trata de um software disponibilizado livremente para qualquer pessoa utilizar.
Como o Cellebrite é adquirido
A aquisição ocorre por meio de contratação e licenciamento da tecnologia.
A Cellebrite mantém canais comerciais próprios e informa possuir operações em diferentes países, inclusive no Brasil. Em sua página oficial de contato, a empresa apresenta endereço corporativo no Brasil e canais específicos de atendimento. (Cellebrite)
Além da contratação direta, existem empresas que atuam como fornecedoras ou representantes em determinados mercados.
No Brasil, documentos públicos mostram contratações realizadas por órgãos governamentais envolvendo a TechBiz Forense Digital, empresa que aparece como contratada em diferentes processos relacionados às soluções Cellebrite.
Um estudo técnico da Controladoria-Geral da União publicado em processo de contratação também registrou a TechBiz como representante exclusiva da solução UFED naquele processo específico. (Serviços e Informações do Brasil)
Isso não significa que todos os contratos da Cellebrite no Brasil necessariamente tenham a mesma estrutura comercial.
Quanto custa o Cellebrite UFED
Não existe um único preço público que possa ser apresentado como "o valor do Cellebrite UFED".
O custo depende da solução contratada, período de licença, atualizações, suporte, equipamentos e demais recursos incluídos no contrato.
Documentos oficiais de órgãos públicos brasileiros ajudam a mostrar essa variação.
Em Goiás, a Secretaria de Segurança Pública publicou, em outubro de 2025, o Extrato do Contrato nº 129/2025. O documento registra a contratação de serviços de instalação, configuração e assinatura do Cellebrite UFED Inseyets Premium por três anos, incluindo atualizações. O valor total informado foi de R$ 4.936.487,22. (Goiás)
No Maranhão, a Secretaria de Segurança Pública autorizou, em janeiro de 2025, a contratação de suporte e atualização tecnológica de uma solução forense UFED, com migração para o Inseyets. O documento registra período de 24 meses e valor total de R$ 484.410,53. (SSP Maranhão)
Já um contrato da Polícia Rodoviária Federal, registrado no Portal da Transparência, teve valor inicial e final de R$ 787.858,10 para renovação, por três anos, de garantias e licenças relacionadas ao Cellebrite UFED 4PC, Cloud e Pathfinder. (Portal da Transparência)
Os valores são de contratos específicos e não representam uma tabela oficial de preços da Cellebrite.
O caso de Goiás
A contratação realizada pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás também mostra que a tecnologia pode fazer parte de uma estrutura maior de investigação digital.
O contrato de 2025 prevê assinatura do UFED Inseyets Premium, além de instalação, transição, configuração e atualizações durante três anos.
O valor de quase R$ 4,94 milhões, portanto, não deve ser interpretado como o preço de uma simples licença individual do programa. O objeto contratado envolve serviços e uma assinatura pelo período estabelecido no contrato. (Goiás)
O caso do Maranhão
No Maranhão, o processo de 2025 envolveu uma solução UFED já existente, com migração para o Inseyets, atualização tecnológica e suporte durante 24 meses.
O documento oficial da Polícia Civil do Maranhão informa que a solução seria utilizada para extração avançada e análise de dados de plataformas eletrônicas portáteis, além de recursos relacionados a dados em nuvem e gerenciamento central. (SSP Maranhão)
O valor autorizado foi de R$ 484.410,53.
Uso da tecnologia exige controle
A capacidade de coletar grandes quantidades de informações de um dispositivo também levanta questões sobre privacidade, proteção de dados e cadeia de custódia da prova digital.
Um telefone pode conter informações pessoais não apenas do proprietário, mas também de familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas que tenham mantido contato com o usuário.
Por isso, o emprego de ferramentas de perícia digital precisa estar associado aos procedimentos legais aplicáveis à investigação e à documentação adequada da coleta e análise das evidências.
A própria Cellebrite afirma que possui políticas para controlar o uso de suas tecnologias e que clientes que não cumprem os termos estabelecidos podem deixar de receber suporte ou ter suas licenças renovadas. (Cellebrite)
O UFED consegue acessar qualquer aparelho?
Não há base para afirmar isso.
A Cellebrite oferece diferentes capacidades de extração, mas os resultados dependem do dispositivo e das condições técnicas encontradas.
A própria empresa descreve sua tecnologia em termos de suporte a diferentes dispositivos e métodos de extração, e não como uma ferramenta capaz de acessar indistintamente todos os celulares existentes. (Cellebrite)
Além disso, fabricantes de smartphones atualizam constantemente seus sistemas e mecanismos de segurança, o que pode alterar as possibilidades de extração.
Tecnologia acompanha evolução dos celulares
O desenvolvimento da perícia digital acompanha a evolução dos próprios dispositivos.
Smartphones atuais utilizam criptografia, mecanismos de autenticação, armazenamento protegido e diferentes camadas de segurança.
Ao mesmo tempo, investigações passaram a envolver não apenas celulares, mas também computadores, serviços em nuvem, aplicativos, redes sociais e outros dispositivos conectados.
A própria Cellebrite atualmente apresenta uma plataforma mais ampla de inteligência digital, reunindo tecnologias de extração, análise e gerenciamento de evidências. (Cellebrite)
A importância da perícia digital
O Cellebrite UFED representa uma das tecnologias utilizadas no mercado de forense digital, área que ganhou importância à medida que informações relevantes para investigações passaram a ser armazenadas em dispositivos eletrônicos.
Sua utilização pode auxiliar profissionais especializados na coleta e análise de dados, mas a ferramenta não substitui o trabalho do perito ou do investigador.
A interpretação das informações, a documentação dos procedimentos e a avaliação da relevância de cada evidência continuam sendo etapas fundamentais de uma investigação.
O que se sabe sobre o Cellebrite UFED
Origem: Israel
Empresa: Cellebrite
Fundação da empresa: 1999
Entrada no segmento de perícia móvel: 2007
UFED: solução de extração forense de dados
Usuários: órgãos de segurança pública, governos, empresas e profissionais autorizados, conforme licenciamento
Aquisição: contratação/licenciamento pela Cellebrite ou canais autorizados
Preço: não há um valor único público; contratos variam conforme solução e serviços
Brasil: existem contratos públicos envolvendo soluções Cellebrite
Sede corporativa: Petah Tikva, Israel (Cellebrite)
O Cellebrite UFED não é simplesmente um programa para "quebrar a senha de um celular". É uma tecnologia profissional desenvolvida para extração e perícia de dados digitais, utilizada em investigações por organizações que possuem acesso licenciado às soluções.
Os documentos públicos brasileiros mostram que sua contratação pode envolver valores elevados e diferentes modelos de serviço. Em Goiás, por exemplo, uma contratação de três anos envolvendo o UFED Inseyets Premium chegou a R$ 4,93 milhões, enquanto outro contrato no Maranhão, também relacionado à tecnologia UFED, teve valor de R$ 484,4 mil. (Goiás)
Ao mesmo tempo, é importante evitar exageros sobre a capacidade da ferramenta: não há fundamento para afirmar que o Cellebrite consegue acessar qualquer celular, recuperar qualquer dado apagado ou funcionar sem limitações técnicas. A capacidade depende do dispositivo, das condições encontradas e da solução licenciada. (Cellebrite)
