Durante meses, a Rússia intensificou operações militares com o objetivo de consolidar ganhos territoriais antes de eventuais negociações de cessar-fogo. Apesar dos avanços, o custo humano foi elevado. Segundo dados do Center for Strategic and International Studies (CSIS), até dezembro de 2025, o número de baixas russas — entre mortos, feridos e desaparecidos — teria alcançado cerca de 1,2 milhão.
No entanto, esse esforço sofreu um revés decisivo com a limitação do acesso russo ao sistema de internet via satélite Starlink, operado pela SpaceX. A medida foi viabilizada por um acordo com o governo ucraniano, que passou a autorizar apenas terminais validados, bloqueando equipamentos utilizados por tropas russas através de intermediários.
A consequência foi a perda de coordenação em campo. Sem comunicação estável, unidades russas ficaram sem acesso a imagens em tempo real de drones e perderam capacidade de comando e controle. De acordo com o tenente-general Marco Serronha, a situação foi particularmente crítica na região de Zaporizhzhia, onde forças russas que avançaram ficaram isoladas e sem contato com a retaguarda.
A Ucrânia aproveitou rapidamente essa vulnerabilidade. Em fevereiro, forças de Kiev recuperaram cerca de 388 km², principalmente no sul do país, revertendo parte dos ganhos obtidos anteriormente pela Rússia. Foi o primeiro mês desde 2023 em que o saldo territorial foi claramente favorável aos ucranianos.
Especialistas apontam que o episódio evidencia o papel crescente de atores privados em conflitos modernos. Para o comentador José Azeredo Lopes, a influência de empresas e indivíduos como Elon Musk pode ser determinante no equilíbrio militar, ao controlar infraestruturas críticas como redes de comunicação.
Sem o Starlink, as tropas russas passaram a recorrer a soluções improvisadas, como rádios não protegidos, cabos físicos e equipamentos comerciais. Essa mudança reduziu a eficiência operacional e expôs comunicações a interceptações ucranianas, permitindo antecipação de movimentos inimigos.
Além disso, o uso de tecnologias alternativas trouxe novos riscos: soldados precisaram se expor para instalar equipamentos em locais elevados, tornando-se alvos fáceis para drones. Estimativas indicam que a capacidade de coordenação russa caiu significativamente, recuperando apenas parcialmente com essas soluções improvisadas.
O impacto vai além do campo de batalha. Em meio a negociações diplomáticas na Suíça, os avanços ucranianos reforçam a posição de Kiev e enfraquecem a narrativa de uma vitória inevitável da Rússia.
Mais do que território, a Ucrânia recuperou iniciativa estratégica — demonstrando que, em guerras modernas, o controle da tecnologia pode ser tão decisivo quanto o domínio do terreno.
Fonte: CNN Portugal – reportagem “Um apagão que está a mudar o mapa: como a Ucrânia conseguiu os maiores avanços territoriais em mais de dois anos” (2026).
