História de Parauapebas com povos originários migrações e crescimento da mineração



Rua 10 (perímetro da Praça Mahatma Gandhi). Foto: Acervo digital do Museu de Parauapebas



Parauapebas, no sudeste do Pará, é hoje uma cidade dinâmica, conhecida pela mineração de ferro, mas sua história começa muito antes disso — com povos originários, migrações, conflitos territoriais, boias-frios, caminhoneiros, técnicos, pesquisadores e famílias que vieram de todos os cantos do Brasil em busca de oportunidade e sobrevivência. 

Esta reportagem responde às principais perguntas que pesquisadores e curiosos fazem para compreender a fundo o passado e o presente deste município.


Quem eram os primeiros habitantes de Parauapebas?

Os povos originários Xikrin Mebêngôkre eram os habitantes tradicionais da região muito antes da chegada de migrantes ou empresas mineradoras. Eles ocupavam a Terra Indígena Xikrin do Cateté, preservando modos de vida baseados na floresta, caça, pesca, coleta e rituais culturais. Hoje estima-se que cerca de 2.000 indígenas Xikrin vivam nas aldeias do território.

Registros arqueológicos exibidos pelo Museu Municipal Hilmar Harry Kluck em Parauapebas revelam que povos muito anteriores aos Xikrin já habitaram a região, com objetos líticos e cerâmicos indicando ocupações humanas antigas que antecedem a cronologia colonial brasileira.

Os Xikrin foram impactados desde o primeiro contato com não indígenas — doenças trazidas por exploradores, missionários e migrantes no século XX reduziram populações inteiras em territórios do Pará, incluindo povos Kayapó e outros grupos próximos.


Como era Parauapebas antes da mineração?

Antes da mineração, a região era uma paisagem de floresta amazônica e cerrado interligados por rios e igarapés. A economia antes de 1967 era baseada em atividades extrativistas:

  • Na década de 1870, migrantes nordestinos atravessaram a mata em busca de látex (borracha) e castanha-do-pará.
  • Entre 1898 e 1919, a produção de castanha substituiu em parte a borracha e atraiu mais trabalhadores temporários.
  • Nos anos 1920 e 1930, grupos migratórios vindos do Baixo Tocantins, norte de Goiás (atual Tocantins) e Maranhão chegaram à região, muitos seguindo o curso dos rios como forma de transporte e sobrevivência.

A vida na floresta era extremamente difícil, com altas taxas de mortalidade entre migrantes devido a doenças tropicais e conflitos por recursos naturais.


Qual é a primeira foto registrada em Parauapebas?

O registro fotográfico mais antigo relacionado à fauna local é a imagem de um tamanduá-mirim, capturada em 1920 por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi dentro da Floresta Nacional de Carajás. Essa fotografia documenta a biodiversidade da região antes da urbanização e mineração.


Quem migrou para Parauapebas antes da urbanização?

Parauapebas recebeu migrantes de diversos estados ao longo do século XX:

  • Nordestinos (Maranhão, Ceará e Piauí), fugindo da seca e da pobreza.
  • Goianos e tocantinenses, atraídos por oportunidades na floresta e, mais tarde, pela mineração.
  • Paraenses de outras regiões, que ocupavam terras ao longo da PA-275 e margens de rios como Itacaiúnas, Tocantins e Parauapebas.

Esses migrantes originalmente se assentaram como trabalhadores rurais, coletores e garimpeiros, buscando sobrevivência e espaço para seus filhos crescerem. À medida que a mineração se consolidou, muitos permaneceram e suas famílias se integraram à estrutura urbana emergente.


Como os povos originários foram afetados durante a expansão e ocupação?

O contato dos povos indígenas com colonizadores, migrantes e agentes do Estado foi marcado por consequências graves: epidemias, deslocamentos e perda territorial. Estudos indicam que epidemias introduzidas no contato inicial podem ter dizimado grande parte de algumas comunidades indígenas no Pará nas décadas de 1920–1960, forçando deslocamentos e reorganizações territoriais.

Atualmente, as aldeias Xikrin mantêm sua cultura e língua, e há iniciativas de fortalecimento educacional e participativo, como formaturas de professores indígenas e audiências públicas dentro da terra indígena.


Como Parauapebas se desenvolveu ao longo do século XX?

  • Década de 1960: Identificação de jazidas minerais na Serra dos Carajás.
  • Anos 1970: Construção da rodovia PA-275, concluída em 1976.
  • 1981: Início da construção do núcleo urbano de Parauapebas.
  • 1985: Inauguração da Estrada de Ferro Carajás, conectando a mina ao porto.

Essa urbanização acelerada atraiu migrações internas, especialmente de estados com altos índices de desemprego, contribuindo para a diversidade étnica e cultural.


Quando Parauapebas se tornou município?

Parauapebas ganhou autonomia político-administrativa em 10 de maio de 1988, desmembrando-se de Marabá pela Lei Estadual nº 5.443. Em 1989, foram realizadas as primeiras eleições municipais para prefeito e vereadores.

O território passou por ajustes nos anos 1990 com a emancipação de Canaã dos Carajás, que se tornou município em 5 de outubro de 1994.


Por que Parauapebas cresceu tanto nas últimas décadas?

O crescimento populacional está intimamente ligado à mineração e à economia do Projeto Grande Carajás:

  • Anos 1980–1990: milhares de empregos diretos e indiretos gerados pela mineração.
  • 2005: população ultrapassou 100 mil habitantes.
  • Hoje: população estimada em mais de 200 mil habitantes, com forte migração de Maranhão, Piauí e Goiás.

Parauapebas é hoje um centro urbano multifacetado, com complexas relações entre indústria, meio ambiente, povos originários e migrações brasileiras.

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