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| Ataques dos EUA e Israel em Teerã, capital do Irã — Foto: Majid Asgaripour/WANA/Reuters |
(Opinião: Transcrição de vídeo de Rachel Sheherazade)
Eu não defendo nenhuma teocracia. Governos não devem ser conduzidos por líderes religiosos, cristãos, judeus, muçulmanos, budistas. Dito isso, vamos comentar sobre os ataques ao Irã? Se a gente for contar a lista de países invadidos ou bombardeados pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra, são quase 40 nações. Nenhuma delas possui armamento nuclear. As últimas vítimas das ações destruidoras dos Estados Unidos foram Palestina, Venezuela e agora, novamente, o Irã. Groenlândia e Canadá seguem sob ameaça, assim como o resto do mundo, que está desprotegido por não ter armas nucleares.
Para as invasões e bombardeios, a desculpa é a mesma: ajudar a libertar o povo de governos autoritários. O que é mais autoritário que bombardear um território soberano, destruindo toda sua infraestrutura? Estradas, portos, aeroportos, museus, refinarias. O que é mais autoritário do que dizimar um país inteiro, deixando-o aos escombros para recomeçar da poeira, do nada, do zero? Quanto tempo até se reconstruir, se reabilitar? Quanto tempo para as instituições se reerguerem, para a sociedade e a política se reorganizarem? Em poucos segundos, os Estados Unidos destruíram séculos de investimentos. Isso é democracia? Ou é a lei do mais forte se impondo acima, inclusive, do direito internacional? Os Estados Unidos não levam democracia, não querem o diálogo, nem muito menos a paz. São os gafanhotos do planeta, destruindo e devorando toda a riqueza alheia.
Uma nação imoral, governada por interesses de bilionários e pedófilos internacionais, que sufoca nações menores, seja por embargos econômicos, seja por invasões e bombardeios injustificados. Os Estados Unidos já não são uma referência cultural para o mundo. Sua diplomacia é uma farsa, seu modo de produção fracassou, sua economia está sucumbindo e há muito deixaram de ser uma democracia. Enquanto definham moral e economicamente, a China, por outro lado, cresce, se desenvolve, redistribui riquezas, investe na qualidade de vida do seu povo e ameaça a hegemonia ocidental.
A invasão ao Irã não é libertadora, é estratégica. O objetivo é controlar os estreitos por onde circula a produção de petróleo e gás natural que abastecem a China. A ideia é insuflar Beijing a entrar numa guerra mundial, mas a China tem outros planos. O contra-ataque não será bélico, mas econômico. A China possui a maior reserva do mundo em terras raras, um conjunto de elementos químicos indispensáveis à indústria tecnológica. E os Estados Unidos dependem desse recurso. Ou negociam com a China ou invadirão o Brasil em busca deles. Somos o segundo maior produtor de terras raras do planeta.
Entenderam a importância da geopolítica? Que isso não tem nada a ver com moralidade nem com religião. A guerra lá no Irã, que não desperta dó nem piedade de boa parte do Ocidente, ela pode afetar todos os países do globo.
Contexto geopolítico atual (fatos verificados):
• A China tem criticado ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, pedindo respeito à soberania iraniana e fim das operações militares. (InfoMoney)
• Analistas apontam motivações geopolíticas por trás dos ataques, incluindo conter influência da China e Rússia na região. (Agência Brasil)
