Rubens José Pinon e a jornada da Amazônia entre abelhas própolis e açaí


No município de Breu Branco, a cerca de 400 quilômetros de Belém, a paisagem verde da Amazônia se mistura à vida de quem escolheu viver em harmonia com a floresta. É aqui que Rubens José Pinon, conhecido carinhosamente como Rubinho, transformou seu cotidiano, antes centrado na criação de gado leiteiro, em um projeto de bioeconomia sustentável.

Quando o Código Florestal de 2012 entrou em vigor, exigindo maior preservação das terras privadas, Rubinho viu a necessidade de repensar a exploração de sua propriedade. De um desafio, surgiu uma ideia: reflorestar as áreas degradadas e investir no cultivo de árvores frutíferas, especialmente o açaí. Foi nesse contexto que começou a perceber o papel das abelhas na produção agrícola.

atroxista_Produtos feitos a partir de própolis de abelhas melíponas. Foto: AmaBee Cosméticos.

O açaí (Euterpe oleracea), conhecido como superalimento, não é apenas uma fruta tropical de alto valor nutritivo: ele depende de polinizadores para se desenvolver plenamente. Rubinho percebeu que, além das abelhas com ferrão, as abelhas sem ferrão, chamadas melíponas, eram essenciais para garantir a produtividade e a qualidade da fruta. Pequenas, discretas e altamente eficientes, essas abelhas começaram a transformar sua propriedade.

A partir da observação e do manejo cuidadoso, Rubinho e sua esposa, Camélia, descobriram que os produtos das melíponas — especialmente o mel e o própolis — tinham qualidade superior, com propriedades curativas e anti-inflamatórias. Com apoio de pesquisas da Embrapa Amazônia Oriental e da Universidade Federal do Pará, os Pinon iniciaram a produção de cosméticos sustentáveis, dando origem à AmaBee Cosméticos.

Hoje, a AmaBee comercializa uma variedade de produtos — cremes, shampoos, sabonetes e géis — todos à base de própolis e mel de abelhas sem ferrão. O empreendimento vai além do lucro: é uma expressão de cuidado com a natureza e com a comunidade, promovendo cursos e capacitações para pequenos agricultores sobre manejo de meliponários e produção sustentável.

Rubens José Pinon não vê sua trajetória apenas como um sucesso econômico. Para ele, o trabalho com as abelhas é um ato de preservação, aprendizado e conexão com a floresta. “Quando mexíamos com gado, eu vivia estressado. Hoje, vivemos em harmonia com os animais e com a natureza. Cuidar da floresta é cuidar de nós mesmos”, diz.

A história de Rubinho é um retrato vivo da Amazônia que se reinventa, unindo ciência, conhecimento tradicional e inovação. É uma jornada que mostra como a bioeconomia pode gerar renda, preservar ecossistemas e transformar vidas, revelando que os pequenos detalhes — como o zumbido de uma abelha sem ferrão — podem marcar o caminho de toda uma comunidade.

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