Canaã dos Carajás revive crime da ExpoCanaã com prisões e reforça memória de duplo homicídio que marcou o sudeste do Pará

Prisões avançam investigação sobre irmãos mortos na ExpoCanaã e reforçam memória de crime marcante em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará.

Gabrielle Souza Mota, de 25 anos, e Andrey Pereira Mota, de 31 anos: assassinato dos irmãos passa a ser investigado por Delegacia de Homicídios de Parauapebas
Gabrielle Souza Mota, de 25 anos, e Andrey Pereira Mota, de 31 anos: assassinato dos irmãos passa a ser investigado por Delegacia de Homicídios de Parauapebas

Mais de dois anos após execução durante saída de evento, Polícia Civil retoma caso emblemático e aprofunda apuração sobre envolvidos

(Canaã dos Carajás, PA – 27 de abril de 2026) - A madrugada de 28 de outubro de 2023 permanece como um dos episódios mais impactantes da memória recente de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. Naquela noite, após o encerramento de um show na ExpoCanaã, a engenheira civil Gabrielle Souza Mota, de 25 anos, que atuava na mineradora Vale, e seu irmão, Andrey Pereira Mota, de 31, foram mortos a tiros dentro de um veículo no estacionamento do evento, em uma ocorrência que alterou a percepção de segurança em espaços públicos de grande circulação no município.

O caso provocou forte repercussão local e passou a integrar o conjunto de crimes de maior relevância na cidade, tanto pela dinâmica quanto pelo local onde ocorreu. As vítimas deixavam o evento acompanhadas de uma terceira pessoa, sobrevivente do ataque, quando foram abordadas por um homem armado. Conforme consta nos autos da investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado do Pará (PCPA), a abordagem foi iniciada sob a alegação de assalto. Mesmo sem resistência, foram efetuados disparos à curta distância contra Gabrielle e Andrey. O autor fugiu do local com apoio externo.

Elementos periciais coletados ainda em 2023 influenciaram diretamente a condução do inquérito. A constatação de que os pneus do veículo estavam esvaziados no lado do motorista passou a ser considerada relevante para a compreensão da dinâmica do crime. Também foram incorporadas à investigação informações sobre ameaças direcionadas à família semanas antes do ocorrido, ampliando o conjunto de dados analisados pelas autoridades.

Mais de dois anos após o crime, em 27 de abril de 2026, a Polícia Civil realizou nova fase da investigação com o cumprimento de mandado de prisão preventiva contra uma mulher apontada como ex-cunhada de uma das vítimas. A medida foi autorizada pela Justiça com base em indícios reunidos ao longo do inquérito, que indicam possível vínculo da investigada com o caso.

Durante a operação, o marido da suspeita foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Com ele, os policiais apreenderam um revólver calibre .38, além de munições, material que apresenta características compatíveis com os dados periciais reunidos desde o registro do crime. Equipamentos eletrônicos também foram recolhidos e encaminhados para análise técnica.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados à investigada, incluindo residência e estabelecimento comercial. Os materiais coletados passam a integrar a fase atual da investigação, que segue sob sigilo parcial para preservação das diligências em andamento.

Ao longo desse período, o caso deixou de ser apenas um registro policial para se consolidar como referência recorrente em debates locais sobre segurança pública e elucidação de crimes. A ausência de respostas imediatas após o ocorrido contribuiu para a permanência do episódio na memória coletiva de Canaã dos Carajás, especialmente entre familiares e moradores que acompanharam sua repercussão.

Inserida em um dos principais polos minerais do país, Canaã dos Carajás possui dinâmica social fortemente influenciada pela atividade de mineração, cenário no qual a presença de profissionais especializados, como engenheiros, compõe parte significativa da estrutura econômica local. Nesse contexto, o perfil de Gabrielle Souza Mota também reforça a dimensão social do caso.

Com as prisões realizadas, a investigação entra em nova etapa, voltada à consolidação de provas, identificação de todos os envolvidos e conclusão do inquérito policial. A Polícia Civil do Estado do Pará mantém o caso em andamento e não descarta novos desdobramentos.

Entre o impacto registrado na madrugada de 2023 e os avanços observados anos depois, o duplo homicídio permanece como um dos episódios mais marcantes da história recente de Canaã dos Carajás, agora inserido em um processo investigativo que busca transformar memória em responsabilização.

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