Radialista denuncia ameaças em Parauapebas e caso em Canaã expõe risco à liberdade de imprensa no Pará

Radialista registra ameaças em Parauapebas e jornalista é intimidado em Canaã dos Carajás. Casos acendem alerta sobre riscos à liberdade de imprensa no Pará.

Radialista Elson Brito - Parauapebas, Pará

 

Parauapebas (PA) – O apresentador Elson Brito, conhecido por comandar o Programa Alerta 96, registrou nesta terça-feira (28 de abril de 2026) um Boletim de Ocorrência após relatar ameaças e ofensas verbais. O caso foi formalizado junto à Polícia Civil e ocorre em meio a um cenário mais amplo de pressão contra profissionais da comunicação no sudeste paraense.


Ameaças após cobertura jornalística

Segundo o radialista, as intimidações começaram após a divulgação, em seu programa, de informações relacionadas a investigações sobre um ataque com explosivos em uma fábrica de rações no bairro Palmares Sul.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, Elson Brito recebeu diversas ligações ao longo da tarde de um empresário supostamente ligado ao caso. Em uma das chamadas, atendida por volta das 16h, o comunicador afirma ter sido alvo de xingamentos e ameaças veladas.

Ainda conforme o relato, o interlocutor teria insinuado possíveis “consequências” caso o tema continuasse sendo abordado no rádio, indicando uma tentativa de intimidar o trabalho jornalístico.

Durante a programação ao vivo, o apresentador exibiu o registro policial e reafirmou seu compromisso com a informação: “Nosso trabalho é baseado em documentos oficiais. A imprensa tem o dever de informar e não pode se curvar a ameaças”, declarou.


Caso em Canaã dos Carajás reforça alerta

Situação semelhante foi registrada recentemente em Canaã dos Carajás, envolvendo o jornalista Carlos Magno de Oliveira. No dia 27 de abril de 2026, o Sindicato de Jornalistas no Estado do Pará (SINJOR-PA) tornou público um posicionamento em defesa do profissional, que relata ter sido alvo de ameaças consideradas graves.

Segundo informações divulgadas pela entidade, há indícios de que as intimidações estejam diretamente relacionadas à atuação profissional do jornalista. Documentos apresentados pelo Instituto Movimento Voto Consciente Canaã apontam que Carlos Magno vem sofrendo acusações infundadas, pressões e sinais de possível articulação criminosa, com risco à sua integridade física.

O SINJOR-PA classificou o episódio como extremamente grave e destacou que o caso representa uma tentativa de silenciamento da atividade jornalística. O município, marcado pela forte presença da mineração e interesses econômicos diversos, historicamente apresenta ambiente sensível para o exercício da imprensa.

Jornalista Carlos Magno de Oliveira - Canaã dos Carajás, Pará

Dados nacionais e preocupação crescente

De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Brasil registra anualmente dezenas de casos de violência contra profissionais da comunicação, incluindo ameaças, intimidações e agressões físicas.

Relatórios da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também apontam crescimento de ataques digitais e campanhas de descredibilização contra jornalistas, fenômeno que se soma às ameaças presenciais, especialmente em cidades do interior.

Já a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) mantém o Brasil em posição considerada preocupante no ranking global de liberdade de imprensa, destacando riscos estruturais ao exercício da profissão.


Resposta institucional

O SINJOR-PA repudiou qualquer forma de violência ou perseguição contra jornalistas e reforçou que a liberdade de imprensa é um dos pilares do Estado democrático. A entidade defende a apuração rigorosa dos fatos, responsabilização dos envolvidos e adoção de medidas protetivas imediatas.

Em âmbito nacional, o Governo Federal anunciou em abril de 2026 a criação de um protocolo específico para investigação de crimes contra profissionais da comunicação, em linha com recomendações internacionais de proteção a jornalistas.


Nota do Portal Atroxista Press

Atroxista Press manifesta solidariedade aos profissionais citados e reforça que ameaças contra jornalistas representam não apenas ataques individuais, mas também um risco direto ao direito da sociedade à informação.

Reiteramos a importância de investigações rigorosas e da atuação firme das autoridades para garantir a segurança dos comunicadores e preservar o livre exercício do jornalismo no Brasil.


Conteúdo com informações de pebinhadeacucar.com.br e do SINJOR-PA

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