Cinco anos após execução de Francisco da GAMPP, caso ainda repercute em Parauapebas


Francisco da GAMPP foi executado a tiros em um galpão no Bairro Boa Vista, em Parauapebas, no dia 20 de novembro de 2020. O crime contra o ex-candidato a vereador pelo PP permanece marcado na memória da cidade.



20 de novembro de 2020. Por volta das 9h da manhã.

O sol já iluminava as ruas de Parauapebas quando o medo atravessou o Bairro Boa Vista. Em um galpão simples, aberto nas laterais e usado para fabricação de bloquetes, próximo à sede do Grupo de Apoio à Moradia Popular de Parauapebas (GAMPP), o silêncio daquela manhã seria destruído em poucos segundos.

Francisco da Silva, conhecido como “Francisco da GAMPP”, estava no local acompanhado de outras pessoas ligadas à associação. O ambiente parecia comum. Conversas rápidas. Movimento discreto. O som abafado de ferramentas e passos sob a cobertura do barracão.

Nada indicava que a morte já estava a caminho.

Segundo relatos de testemunhas, dois homens chegaram em uma motocicleta. O barulho do motor chamou atenção de quem estava próximo. Os suspeitos pararam diante do galpão e perguntaram diretamente por Francisco.

Ele então caminhou até a entrada.

Naquele instante, segundo testemunhas, Francisco ainda tentou reagir ao clima estranho da abordagem. Surpreso, teria pronunciado uma frase curta, quase incrédula:

“É brincadeira.”

Mas não era.

O homem que estava na garupa sacou a arma.

O tempo pareceu desacelerar.

Cinco disparos romperam o silêncio do galpão.

Os tiros ecoaram pela área aberta do barracão e assustaram moradores das proximidades. Três disparos atingiram Francisco da Silva. Dois acertaram o peito. O terceiro atingiu o braço direito.

O professor, ativista social e ex-candidato a vereador caiu ainda dentro do barracão.

Não houve tempo para socorro.

Não houve chance de defesa.

A morte chegou rápida, seca e definitiva.

Após os disparos, os criminosos fugiram na motocicleta, desaparecendo pelas ruas do bairro enquanto o medo tomava conta da região.

Dentro do galpão, ficaram apenas o silêncio, o cheiro de pólvora e o desespero das pessoas que presenciaram a execução.

Familiares chegaram pouco depois e encontraram a cena já isolada pela polícia. Muitos choravam. Outros permaneciam em silêncio absoluto, como se ainda tentassem compreender o que havia acabado de acontecer.

Francisco da Silva tinha 38 anos.
Nasceu em Itupiranga, em 5 de abril de 1982.
Era professor de ensino médio, possuía ensino superior completo e ficou conhecido em Parauapebas pela atuação em movimentos sociais ligados à moradia popular.

Nas eleições municipais de 2020, disputou uma vaga na Câmara Municipal pelo Progressistas (PP). Recebeu 471 votos, equivalente a 0,38% dos votos válidos, ficando na suplência.

Mas naquela manhã, no galpão da Rua 31, os projetos políticos, os discursos e as promessas perderam espaço para outra realidade: a violência.

Policiais militares isolaram a área enquanto investigadores da Divisão de Homicídios da 20ª Seccional de Polícia Civil iniciavam os primeiros levantamentos.

Cápsulas espalhadas pelo chão.
Marcas de sangue no concreto.
Olhares assustados.
Poucas respostas.

O crime rapidamente espalhou tensão entre lideranças comunitárias e moradores ligados a movimentos populares da cidade.

Horas depois, o diretório municipal do Progressistas divulgou nota oficial lamentando a morte do filiado. O partido descreveu Francisco da GAMPP como “um homem íntegro e humano”, cobrando rigor das autoridades na investigação.

Mas, naquele momento, nenhuma nota pública era capaz de apagar a imagem deixada dentro do galpão.

Porque algumas cenas permanecem.

O som dos tiros.
A frase interrompida pelo medo.
O corpo caído no chão frio do barracão.
E a sensação de que alguém já havia chegado ali decidido a matar.

Na manhã de 20 de novembro de 2020, em um simples galpão no Bairro Boa Vista, a violência transformou um espaço comum em palco de uma execução que ainda hoje ecoa como um dos episódios mais sombrios da história recente de Parauapebas.


Cinco anos após execução de Francisco da GAMPP, caso ainda repercute em Parauapebas

Cinco anos após execução de Francisco da GAMPP, caso ainda repercute em Parauapebas

Cinco anos após execução de Francisco da GAMPP, caso ainda repercute em Parauapebas

Fotos de Francisco e Darci nas eleições de 2020.

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