Deputado federal Keniston Braga alerta para crise social em Belém após dados apontarem que 76% dos adultos estão negativados. Inadimplência, custo de vida e apostas online agravam cenário econômico na capital paraense.
“Não podemos naturalizar esse cenário. Uma capital com 76% da população negativada mostra que existe algo profundamente errado no sistema econômico”, afirmou o parlamentar. Segundo ele, o quadro reflete o aumento do custo de vida, a perda do poder de compra e o crescimento do endividamento das famílias, especialmente nas áreas periféricas.
Keniston Braga destaca que o crédito, que deveria funcionar como instrumento de apoio financeiro, acabou se tornando um fator de agravamento da vulnerabilidade econômica. “Não é normal uma cidade inteira sobreviver sufocada por dívidas. Isso significa falta de comida na mesa, falta de oportunidade e excesso de abandono”, disse.
Além do contexto econômico, especialistas têm associado o avanço da inadimplência ao crescimento das apostas online, conhecidas como “bets”. Dados do DataSenado indicam que 17% dos paraenses já participaram desse tipo de jogo digital, percentual acima da média nacional. Analistas avaliam que o fenômeno pode impactar diretamente o orçamento de famílias de baixa renda.
Diante do cenário, o deputado defende medidas emergenciais e estruturais para conter o avanço da crise. Entre as propostas, ele cita programas de renegociação de dívidas, como iniciativas de refinanciamento, além de políticas de fortalecimento da renda e do emprego.
“O povo paraense quer trabalhar e voltar a consumir, mas está esmagado por juros altos e falta de renda”, declarou Keniston Braga.
Ele também defende ampliação de microcrédito, incentivo ao empreendedorismo e programas de qualificação profissional, além de educação financeira como ferramenta de prevenção ao endividamento.
Nos bairros periféricos de Belém, o impacto já é sentido no dia a dia, com queda no consumo, atraso no pagamento de contas e maior dificuldade para equilibrar o orçamento doméstico. Para o parlamentar, o endividamento em massa não pode ser tratado como algo normalizado, mas como um sinal de alerta social e econômico.
