Relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aponta possibilidade de assassinato de Juscelino Kubitschek durante a ditadura militar. Documento ainda será votado.
Relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos aponta possibilidade de assassinato de JK durante a ditadura militar
Documento em análise contraria conclusão oficial sobre acidente que matou o ex-presidente em 1976
A pouco mais de três meses de o Brasil completar 50 anos da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, um relatório produzido no âmbito da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) afirma que JK pode ter sido vítima de um assassinato político durante a ditadura militar, e não de um simples acidente automobilístico, como sustentado oficialmente desde 1976.
O documento foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na comissão. O texto ainda está sendo analisado pelos demais integrantes do colegiado e deverá ser votado em uma próxima reunião da CEMDP.
Uma reunião para discutir o relatório chegou a ser marcada para o dia 24 de abril, em São Paulo, mas acabou adiada após os conselheiros solicitarem mais tempo para examinar o material, que possui mais de 5 mil páginas, incluindo anexos e documentos complementares.
Até o momento, o relatório não foi oficialmente aprovado pela comissão, e o conteúdo integral ainda não foi divulgado publicamente.
Caso divide interpretações há décadas
Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente na Via Dutra, próximo à cidade de Resende, no Rio de Janeiro. A versão oficial apresentada na época apontou que o carro onde estava o ex-presidente colidiu com um caminhão após perder o controle da direção.
Ao longo das décadas, porém, surgiram suspeitas e teorias de que a morte poderia ter sido resultado de uma ação planejada pelo regime militar.
Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade analisou o caso e concluiu que não havia elementos suficientes para afirmar que JK foi assassinado, mantendo oficialmente a versão de acidente automobilístico.
O novo relatório da CEMDP, entretanto, reabre o debate histórico ao apresentar uma interpretação diferente sobre os fatos.
Documento ainda será votado
Como o parecer ainda não foi votado pelos conselheiros da comissão, a conclusão apresentada pela relatora não representa, até o momento, uma posição oficial definitiva da CEMDP.
A expectativa é que os integrantes do colegiado analisem os documentos, laudos e argumentos reunidos antes da deliberação final sobre o caso.
A eventual aprovação do relatório poderá reacender discussões políticas e históricas sobre a atuação da ditadura militar brasileira e sobre episódios envolvendo perseguições a lideranças políticas durante o regime.
