Bolsa Família terá reajuste de 15% e valor mínimo sobe para R$ 691 a partir de outubro

Correção anunciada pelo governo Lula recompõe a inflação acumulada desde março de 2023; benefício médio deve passar de R$ 675 para R$ 777. Novos valores começam a produzir efeitos financeiros em outubro



O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17 de setembro de 2026) o reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. Com a correção, o benefício mínimo por família passará dos atuais R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio pago pelo programa deverá subir de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.

A medida foi formalizada pelo Decreto nº 13.120, de 17 de setembro de 2026, publicado em edição extra do Diário Oficial da União. Segundo o texto do decreto e as informações divulgadas pelo governo, a correção corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.

Embora o decreto entre em vigor na data de sua publicação, os efeitos financeiros da atualização começam em 1º de outubro de 2026. Os pagamentos da folha de outubro terão início no dia 19, conforme o calendário divulgado para o programa.


Quanto passa a receber cada família?

O reajuste não significa que todas as famílias receberão exatamente R$ 691. O valor efetivamente pago continua dependendo da composição familiar e dos benefícios adicionais previstos no programa.

Com a atualização, os principais valores passam a ser:

Benefício mínimo: de R$ 600 para R$ 691;

Benefício de Renda de Cidadania: R$ 164 por integrante;

Benefício Primeira Infância: de R$ 150 para R$ 173 por criança;

Benefício Variável Familiar: de R$ 50 para R$ 58 por integrante que se enquadre nas regras;

Valor médio estimado: de R$ 675 para R$ 777.


O Benefício Primeira Infância é destinado às crianças de até sete anos incompletos. Já o Benefício Variável Familiar contempla integrantes que se enquadram nas condições previstas pelo programa, incluindo crianças e adolescentes, gestantes e nutrizes.

Reposição da inflação

De acordo com o governo federal, o reajuste tem como objetivo preservar o poder de compra das famílias beneficiárias diante da inflação acumulada desde o relançamento do Bolsa Família, em 2023.

O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Bruno Moretti, informou que a referência utilizada foi uma inflação acumulada de 15,04% pelo INPC no período entre março de 2023 e agosto de 2026.

O governo também afirma que a atualização não altera os critérios de entrada no programa nem amplia, por si só, o número de beneficiários.

Impacto nas contas públicas

A atualização terá impacto financeiro sobre o Orçamento federal. Segundo as estimativas apresentadas pelo governo, o custo adicional será de aproximadamente R$ 5,8 bilhões em 2026. Para 2027, a estimativa divulgada inicialmente ficou na casa de R$ 22 bilhões, enquanto projeções posteriormente divulgadas apontaram cerca de R$ 22,7 bilhões.

A equipe econômica afirma que a despesa será acomodada dentro do espaço fiscal disponível e seguirá as regras fiscais.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a atualização como uma recomposição dos valores diante da inflação e afirmou que a medida foi incorporada ao planejamento orçamentário do governo.

Bolsa Família e segurança alimentar

O reajuste ocorre em um cenário no qual os indicadores internacionais registram melhora na situação alimentar brasileira.

Segundo o relatório SOFI 2026, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil permaneceu fora do chamado Mapa da Fome. No triênio 2023–2025, a proporção da população em situação de subalimentação permaneceu abaixo de 2,5%, parâmetro utilizado pela organização para essa classificação.

O mesmo relatório aponta redução da insegurança alimentar grave no país. A estimativa chegou a 0,6% da população, menor percentual registrado na série apresentada pela FAO.

Os números, porém, representam indicadores nacionais de segurança alimentar e não significam que a insegurança alimentar tenha sido eliminada no país.

Reajuste ocorre em ano eleitoral

A decisão foi anunciada em 17 de setembro de 2026, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais.

O calendário eleitoral passou a integrar o debate público em torno da medida. Reportagens publicadas nesta quinta-feira destacaram a proximidade entre o reajuste e a eleição.

O governo, por sua vez, apresenta a medida como uma correção inflacionária prevista na legislação do programa e afirma que a atualização tem como finalidade preservar o poder de compra dos beneficiários.

A proximidade temporal com a eleição é um fato; já a interpretação sobre as motivações políticas da decisão é objeto de disputa entre diferentes atores e não deve ser confundida com a justificativa oficial apresentada para o reajuste.

19,3 milhões de famílias recebem o programa

O Bolsa Família atende atualmente cerca de 19,3 milhões de famílias em todo o Brasil. O programa combina transferência direta de renda com condicionalidades relacionadas a áreas como saúde e educação.

Com a atualização, os beneficiários não precisam solicitar individualmente o reajuste. Os novos valores serão aplicados automaticamente de acordo com as regras do programa e a composição de cada família.

A partir de outubro, portanto, o piso nacional do Bolsa Família deixa de ser R$ 600 e passa a R$ 691, enquanto a média estimada dos pagamentos sobe para R$ 777.

A medida representa uma correção nominal de 15,04% nos valores do programa, com efeitos financeiros previstos para a folha de outubro de 2026.

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