Vorcaro afirma que doações a Bolsonaro e Tarcísio em 2022 estavam relacionadas a suposto esquema de propina

Reprodução / Pablo Jacob/Governo do Estado de São Paulo / Breno Esaki/Metrópoles


São Paulo — 3 de setembro de 2026 — O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada apresentada às autoridades, que doações eleitorais realizadas em 2022 para as campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) estavam relacionadas a um suposto acordo de propina envolvendo a continuidade das operações do Credcesta no governo de São Paulo.

Segundo informações divulgadas pelo UOL nesta quinta-feira (3), os repasses somaram R$ 5 milhões. Desse total, R$ 3 milhões foram destinados à campanha de Bolsonaro e R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio. Os valores foram oficialmente registrados em nome do empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. Os registros das doações constam da prestação de contas eleitorais de 2022.


O que Vorcaro declarou

Na proposta de colaboração, Vorcaro afirmou que os R$ 5 milhões representavam, segundo seu relato, "contrapartidas financeiras" relacionadas a um suposto "ajuste indevido" com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e então secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo.

O ex-banqueiro relacionou o suposto acordo à manutenção do Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos. De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, o entendimento envolveria a continuidade da operação do produto no governo paulista e repasses financeiros relacionados ao grupo político de Kassab.

A proposta também mencionaria outros pagamentos que, segundo Vorcaro, teriam sido feitos de maneira informal. Esses valores, entretanto, fazem parte exclusivamente do relato apresentado pelo ex-banqueiro às autoridades e não devem ser tratados como fatos comprovados.


Doações foram registradas oficialmente

A existência das doações de R$ 5 milhões não depende da delação de Vorcaro. Dados da Justiça Eleitoral já haviam identificado Fabiano Zettel como doador das campanhas.

Em 2022, Zettel destinou R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. O empresário foi posteriormente investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, relacionada ao caso do Banco Master.

As doações foram realizadas formalmente e registradas na Justiça Eleitoral. A alegação de que esses recursos teriam origem em uma negociação de propina, porém, é atribuída a Vorcaro e não constitui, por si só, comprovação de crime.


Proposta de delação foi rejeitada

Um dos pontos mais importantes para a compreensão do caso é a situação da colaboração premiada.

De acordo com a reportagem do UOL, as versões da proposta de delação apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Entre as justificativas apresentadas estava a ausência de elementos considerados novos ou suficientes para a celebração do acordo.

Na última semana, Vorcaro voltou a manifestar interesse em colaborar com as investigações durante audiência relacionada à Operação Compliance Zero. A proposta, contudo, novamente não foi aceita pela PGR, segundo o UOL.


Relação com o Credcesta

O Credcesta tornou-se um dos principais negócios associados ao grupo de Vorcaro. O produto funciona como cartão de crédito consignado e passou a operar para servidores públicos de São Paulo em 2022.

Segundo a reconstrução apresentada pelo UOL, empresas relacionadas ao grupo conseguiram autorização para oferecer o produto ainda durante o governo João Doria. A operação começou naquele ano, durante a gestão de Rodrigo Garcia, e posteriormente continuou no governo Tarcísio.

Vorcaro afirmou que a manutenção do negócio em São Paulo teria sido objeto de negociações políticas. Essa versão, entretanto, integra uma proposta de delação que não foi aceita pelas autoridades.


Tarcísio e Kassab negam as acusações

Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab negaram envolvimento nas irregularidades relatadas por Vorcaro e classificaram as acusações como falsas, segundo a apuração divulgada nesta quinta-feira.

A existência das doações eleitorais é documentada nos registros oficiais da Justiça Eleitoral. Já a interpretação apresentada por Vorcaro sobre a finalidade e a origem dos recursos permanece no campo das alegações feitas pelo ex-banqueiro.


O que está comprovado e o que é alegação

Até o momento, é possível separar os fatos documentados das afirmações feitas na proposta de colaboração.

Documentado: Fabiano Zettel realizou doações de R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas durante as eleições de 2022.

Alegação: Daniel Vorcaro afirmou que os recursos estavam relacionados a supostas contrapartidas para a manutenção do Credcesta no governo paulista.

Situação da delação: as propostas de colaboração de Vorcaro foram rejeitadas pelas autoridades responsáveis, segundo o UOL, por falta de novidades e de elementos de corroboração.

Posição dos citados: Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab negam as acusações.

Portanto, a afirmação de que as doações foram propina não deve ser apresentada como fato comprovado. Trata-se de uma acusação feita por Vorcaro em uma tentativa de colaboração premiada que não foi aceita pelas autoridades.

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