Parauapebas, município brasileiro localizado no sudeste do estado do Pará, é uma das cidades mais importantes do Brasil em termos de desenvolvimento econômico e social. Sua história começou a ser escrita ainda no século XX, quando grandes descobertas minerais mudaram profundamente a configuração do território e atraíram milhares de pessoas de todas as regiões do país em busca de trabalho e oportunidades.
Década de 1960 – A descoberta das jazidas de minério
No final da década de 1960, geólogos brasileiros detectaram na Serra dos Carajás — então parte do município de Marabá — a presença de reservas minerais extraordinárias, especialmente minério de ferro de alta qualidade. O geólogo Breno dos Santos foi responsável pelo levantamento inicial que revelou a magnitude dessa jazida, considerada a maior do mundo.
A região, até então povoada por comunidades indígenas como os Xikrin do Cateté e ocupações tradicionais ligadas ao ciclo da castanha, começou a ganhar importância estratégica. A descoberta atraía o interesse de investidores, empresas e do próprio Governo Federal, que buscava fomentar o desenvolvimento econômico na Amazônia.
Década de 1970 – Início do Projeto Ferro Carajás
Em 1970, o Governo Federal autorizou a implantação do Projeto Ferro Carajás, um ambicioso plano de exploração mineral que envolveria a extração, beneficiamento e transporte de minério de ferro. Inicialmente, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) se associou à empresa U.S. Steel para formar a Amazônia Mineração S.A. (AMZA), com o objetivo de explorar as riquezas minerais da região.
Na segunda metade da década, o projeto ganhou impulso com obras de infraestrutura e o início das primeiras escavações e prospectos mais avançados. A atenção passou a se voltar para o vale do Rio Parauapebas, onde surgiriam os primeiros núcleos de povoamento ligados à mineração.
Início dos anos 1980 – Formação da vila e crescimento populacional
A partir de 1981, com a implantação oficial do Projeto Ferro Carajás, começou a ser construída no vale do Rio Parauapebas uma vila planejada para abrigar trabalhadores e suas famílias. Essa vila era inicialmente projetada para cerca de 5 mil habitantes, mas rapidamente superou essa estimativa devido ao intenso fluxo migratório.
Em poucos anos, milhares de pessoas de todas as partes do Brasil — incluindo fazendeiros, garimpeiros, trabalhadores rurais e jovens em busca de trabalho — caminharam pelos 165 quilômetros da estrada de terra que ligava Marabá à região do projeto, impulsionadas pela esperança de emprego e melhores condições de vida.
Na prática, o núcleo urbano cresceu de forma acelerada, especialmente no que hoje é o bairro Rio Verde, cujo nome original refletem a geografia local. Ali, residência, comércio improvisado e pequenas oficinas surgiam às margens da estrada enquanto o povoado ia ganhando vida própria.
1985 – Inauguração da Estrada de Ferro Carajás
Em 1985, foi inaugurada a Estrada de Ferro Carajás, uma das mais importantes linhas ferroviárias do país. Essa ferrovia ligou a Serra dos Carajás ao Porto de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), transformando completamente as condições de escoamento do minério produzido na região.
A ferrovia também passou a transportar passageiros, fortalecendo ainda mais a conexão entre o sudeste do Pará e outras regiões do Brasil. Isso acelerou o crescimento demográfico e comercial da vila de Parauapebas, que já contava com dezenas de milhares de habitantes.
1987–1988 – Movimento emancipacionista e ato de criação do município
Com o crescimento populacional e a consolidação de uma vida urbana própria, a Vila de Rio Verde iniciou um movimento político para obter sua emancipação administrativa em relação ao município de Marabá. A demanda ganhou força quando ficou evidente que Parauapebas não recebia repasses adequados dos impostos gerados localmente.
Em 24 de abril de 1988, um plebiscito foi realizado, com participação massiva da população — mais de 16 mil eleitores — aprovando a emancipação com mais de 99% dos votos favoráveis.
Em 10 de maio de 1988, o então governador do Pará sancionou a Lei Estadual nº 5.443/88, que oficializou a criação do Município de Parauapebas. No mesmo ano, no mês de outubro, Faisal Salmen foi eleito o primeiro prefeito municipal.
Década de 1990 – Consolidação urbana e crescimento social
Ao longo dos anos 1990, Parauapebas deixou de ser apenas um núcleo ligado à mineração para consolidar-se como um centro urbano com vida própria. Serviços públicos, comércio, educação e saúde foram se estruturando, embora ainda de forma desigual e com desafios significativos. A população continuou crescendo, refletindo a importância econômica da cidade e sua capacidade de atrair pessoas em busca de trabalho.
1998 – Criação da Floresta Nacional de Carajás
No final da década de 1990, foi criada a Floresta Nacional de Carajás, uma vasta área de conservação sustentável que busca conciliar atividades econômicas com preservação ambiental. A iniciativa representa a tentativa de equilibrar a exploração mineral com a proteção da biodiversidade local, um desafio constante na região.
Anos 2000 – Explosão demográfica e urbanização
Durante os anos 2000, a população de Parauapebas cresceu rapidamente, ultrapassando a marca de 100 mil habitantes por volta de meados da década. Novos bairros surgiam e a cidade expandia sua infraestrutura urbana para atender à crescente demanda por serviços, moradia e comércio.
Apesar de um crescimento rápido, a urbanização apresentou desafios, como pressão sobre o saneamento básico, mobilidade e desigualdades sociais em áreas periféricas. Ainda assim, Parauapebas consolidou-se como um dos municípios mais dinâmicos da Amazônia.
2010 – Projetos mineradores modernos e S11D
A partir da década de 2010, com o avanço tecnológico no setor mineral, a região passou a receber investimentos em projetos de grande escala como o S11D, considerado um dos maiores complexos de mineração de minério de ferro do Brasil.
Esses investimentos trouxeram modernização, aumento de produtividade, geração de empregos e impacto direto na economia local, mas também levantaram debates sobre sustentabilidade ambiental, uso da terra e responsabilidade social.
2020–Presente – Parauapebas hoje e olhando para o futuro
Atualmente, Parauapebas é um dos municípios de maior relevância econômica no Pará e no Brasil, com uma economia fortemente ancorada na mineração, mas também em serviços, comércio e atividades relacionadas ao setor logístico. A cidade continua a atrair investimentos e a buscar melhorias em infraestrutura urbana e qualidade de vida.
A busca por desenvolvimento sustentável segue em pauta, com políticas públicas voltadas à educação, saúde, transporte e meio ambiente, além de iniciativas que incentivam a diversificação econômica além da mineração.
Assim, a trajetória de Parauapebas, das primeiras descobertas minerais até os desafios e conquistas do século XXI, reflete a história de um município que cresceu rapidamente e continua a se reinventar como um centro urbano importante na Amazônia brasileira.
