Transcrição Completa: Keniston Braga | Série de Entrevistas — Pebas na TV (2026)

 



Fonte: https://www.youtube.com/live/KMG9H4rJymo

 

 

Jarbas: Muito bem, já estamos ao vivo, não só para o Parauapebas, mas o Pará, Brasil e o Mundo através do seu Pebas na TV. Esse é o nosso podcast, na nossa série de entrevistas, recebendo ele pela segunda vez, Keniston Braga. Keniston Braga, seja bem-vindo ao nosso podcast e vamos dar um show, está livre para você falar o que você quiser. E também Jarbas, não quero falar sobre isso, tudo bem também, tá?

 

Keniston Braga: Obrigado Jarbas, a todos que nos assistem pelas plataformas da internet, Youtube, Instagram e todos os outros. Muito obrigado pela gentileza da companhia, neste podcast a gente vai tentar fazer o melhor, tanto eu quanto o Jarbas. Vamos levar para vocês informação precisa, polêmicas também, faz parte do processo. Mas estamos aqui para isso, que essa noite seja uma noite enriquecedora para todos nós.

 

Jarbas: É isso aí, você pode vir com a gente aí comentando, compartilhando, tá bom? Faça aí sua pergunta, você que gosta do Keniston Braga, você vai lá, você que não gosta, vai lá também, né? E faça seu comentário, afinal de contas, né Keniston Braga, a gente não consegue agradar todo mundo. Mas nós temos aí algumas pessoas que gostam da gente. E Keniston Braga, como é que está a sua estratégia, né? A gente conversou agora há pouco aqui nos bastidores, até sobre Copa do Mundo, né? A gente até esperou um pouquinho mais porque a gente estava falando da Copa do Mundo aí antigamente. E a gente estava aqui esperando. Mas Keniston Braga, como é que está a sua estratégia, né? Que você é um grande estrategista, a gente estava até conversando aqui nos bastidores. Que você vinha muito na linha de ser mais discreto. Só que quando partiu a ser o político mesmo, você começou a agir de outras formas, né? E como é que está a sua estratégia agora, após passar quase 4 anos como deputado federal?

 

Keniston Braga: Jarbas, é simples, não há mistérios ou segredos tão profundos com relação à estratégia. Para esta nova jornada, para essa nova tentativa de uma eleição. A eleição passada, ela tinha uma conotação de levar para o estado do Pará uma proposta de deputado federal. Uma proposta de legislar a partir da experiência vivida em gestões públicas, com mais profundidade nos últimos anos em Parauapebas. Hoje é totalmente diferente. Hoje a proposta é de apresentar os resultados deste mandato e deixar com que as pessoas avaliem. Nós temos a necessidade de apresentar tudo isso e esperar que as pessoas tomem as suas decisões. A política que eu acredito, o resultado positivo que eu acredito, ele parte exatamente disso. Eu cobro das pessoas que reflitam sobre as suas escolhas. Quando as eleições terminam, a gente inicia um período de 4 anos. Que os escolhidos tenham a responsabilidade de melhorar a vida nas nossas cidades, no nosso estado e no nosso país. Essa é a estratégia, trazer a informação, periodicamente ou de maneira frequente, compartilhada. Trazer a informação de como foi o Keniston, como deputado federal. Qual foi a contribuição que o Keniston deu a partir do centro das discussões políticas do país. Parlamento Federal, o que o Keniston entregou para Parauapebas e Pará inteiro, e até por que não dizer para o Brasil. Hoje tem projetos de leis que eu sou autor que interferiram, interferem e vão interferir na vida do nosso país.

 

Jarbas: Fazer as pessoas olharem mais para o político, o seu objetivo, quando chegar lá, hoje nós temos você como representante federal e tem a sua importância, mas as pessoas também elas estão desacreditadas, inclusive nas últimas eleições foram feitas muitas promessas e não foram cumpridas até então, e as pessoas acabam ficando, ah, mas político de novo, não sei o que, mas como é que você pensa em olhar para o eleitor, se tivesse que dar uma mensagem para ele aqui agora, falar eleitor não é bem assim, a gente vai através da política, as coisas funcionam pela política, como é que é o pensamento do Keniston Braga?

 

Keniston Braga: Jarbas, eu, isso é uma necessidade de todos nós, não só de quem está no ambiente da política, quem está no ambiente da disputa, é muito necessário que as pessoas evoluam e amadureçam com relação a esse processo da escolha, porque nós temos uma característica que eu descobri ainda, quando candidato, que me entristeceu bastante. Primeiro, a falta de conexão com essa escolha, com a escolha de um homem ou de uma mulher que você vai mandar para o centro das discussões políticas do país. Eu tinha uma pergunta que eu sempre pedia para fazer antes de qualquer palestra que eu fosse apresentar no período das minhas eleições, era uma pergunta simples, eu perguntava para o público que estivesse presente em quem eles haviam votado na eleição passada para deputado federal. Lamentavelmente, sempre com uma frequência rigorosa, 90% das pessoas não lembravam em quem tinha votado para deputado federal. E isso refletia um cenário assustador, porque são essas pessoas dentro dessa hierarquia política que têm a responsabilidade de estar lá, no parlamento federal, no centro das discussões políticas do país, tomando decisões importantes como o valor do salário que você recebe, o preço da roupa que você veste, do alimento, se teremos mobilidade urbana boa ou não, se teremos educação de qualidade ou não. Então há uma necessidade, eu sempre digo e repito isso, há uma necessidade que as pessoas reflitam sobre essa escolha. Primeiro, da importância dessa função e, segundo, de avaliar, analisar quem é este homem ou esta mulher que eu estou enviando lá para Brasília. Tem capacidade técnica para isso? Tem profundidade do conhecimento de gestão pública em municípios? Porque eu sou municipalista, a vida começa e termina no município, ninguém nasce no estado, ninguém nasce no país, a gente nasce no município, nasce e vive no município. Então a política municipalista é a que vai empurrar esse Brasil para frente. Se a gente tem município forte, a gente tem estado forte, se a gente tem estados fortes, a gente tem país forte. Então, para a gente ter essa configuração de boas escolhas, a gente tem que refletir. Tecnicamente, essa pessoa é capaz? Como é que é a ficha dessa pessoa? Essa pessoa, como é que ele conduziu a vida dele, pública ou particular, quem resolve entrar para a política no período de uma eleição, como é que foi essa condução? Como é que essa pessoa se comporta como cidadão? Então, é muito necessário e importante que todo mundo reflita e pare de falar duas coisas que são muito erradas. Uma, eu não gosto de política. A gente escuta isso com frequência, isso talvez seja até aceitável, não gostar de política. Mas tem uma outra que fala, e aí é muito errado afirmar isso, eu não dependo de política. Todos nós sabemos que em qualquer regime que a gente tenha necessidade de ser governado, de ser comandado por alguém, nós vivemos, graças a Deus, no nosso país no regime democrático, nós temos uma dependência direta das ações que são tomadas por essas pessoas que nós colocamos no poder. E as pessoas têm uma mania muito ruim de generalizarem essa avaliação. "Ah, política é tudo igual, política é tudo preguiçoso, política é tudo corrupto, política é tudo ladrão". Então, o que que acontece? Se nós formos avaliar na vida privada, nós temos em todos os ambientes os bons e os maus. Nós temos os bons médicos, os maus professores, engenheiros, arquitetos e por aí afora. Tem os bons e os maus. Qual a diferença? Essas pessoas, elas buscaram essa formação, foram até uma faculdade, uma universidade e adquiriram o direito de exercer essa profissão. O político não, político quem escolhe somos nós. A partir da nossa decisão, nós damos a oportunidade para que eles nos representem nas mais diferentes esferas: federal, municipal, estadual. Então, nós somos muito responsáveis por essa escolha e nós somos muito responsáveis pelo que se transforma depois. Se eles são ruins, nós temos uma parcela significativa de contribuição. Por isso que o momento das eleições, que para muitos é um momento chato, um momento ruim do período da nossa vida, ele precisa ser encarado com responsabilidade e com seriedade. Assim a gente vai conseguir diminuir as chances de errar fazendo essas análises, essas avaliações e ter no ambiente da política pessoas com capacidade, responsabilidade e comprometimento com a causa pública. E a gente precisa cada vez mais incentivar a entrada de novos valores no processo, incentivar a partir desta configuração de jovens, homens e mulheres que tenham essa percepção da necessidade da importância da política na nossa vida e possam atuar dentro desse cenário transformando para melhor, porque a transformação do processo político pode ser negativa ou positiva depende na mão de quem que essa ferramenta vai estar. E cada um tem só o seu voto, o deputado Keniston só tem o voto dele, mas ele convenceu 126 mil e 27 pessoas a me enviarem para Brasília. E agora eu volto para ser avaliado a partir do resultado que eu ofertei ou que eu deixei de ofertar durante esses quatro anos. Assim se configura uma democracia sólida e assim se configura um ambiente político, um ambiente de resultados eleitorais satisfatórios.

 

Jarbas: Entendi. E, Keniston, como é que surgiu essa situação de você ser um candidato, né, como é que chegou? Keniston, você vai, ou foi o Keniston que chegou e disse, ó, é a minha vez, eu fiquei tanto nos bastidores, na articulação, eu acho que eu estou pronto. Como é que surgiu esse momento?

 

Keniston Braga: Jarbas, de forma intrigante. Primeiro, eu nunca pensei em ser candidato a nada. Eu sempre achei que a contribuição dada a partir da minha atuação técnica nos bastidores dos processos, e a participação começa no processo eleitoral, na construção de projetos e condução desses projetos, eu fiz isso muitas vezes na minha vida. E depois, na contribuição da execução da gestão daqueles grupos que venciam as eleições. E eu sempre achei que esse ambiente, que eu tinha sido preparado para aquele ambiente. Fui, ocupei muitas funções. Em todas essas funções que eu ocupei, eu entreguei excelentes resultados, e aquilo me desafiava a fazer mais, a estar mais, a contribuir ainda mais. Mas cara, esse ambiente da política, ele é de verdade imprevisível. Você não pode dizer, eu planejo isso e é isso que eu vou executar, porque ele é muito dinâmico. E ele, na medida do dinamismo dele, ele começa a te impor certos desafios. E pra minha surpresa, eu estava com um projeto fantástico na mão. Eu tinha uma formatação de uma proposta de mudança pra essa cidade que seria um marco na história dela, que era a Segov, o PMI, e eu estava muito focado nisso. E ao final de um ano, quando a gente tinha encerrado a fase de planejamento dele, e iremos passar necessariamente pra execução o grupo político ao qual eu fazia parte, na época, me desafia a ser candidato a deputado federal. Eu relutei muito, disse não muitas vezes, mas aí veio um argumento muito forte. Primeiro, o que essa região representa pro Estado e pro país. E enxergar, naquela legislatura passada, a ausência total de um representante morador daqui. Uma pessoa com os pés fincados aqui e com conhecimento de toda essa potencialidade e das nossas dificuldades de ser reconhecida como esta região que tanto entrega e que pouco recebe. A gente, a nossa produção mineral, as nossas cidades mineradas, o nosso subsolo riquíssimo e ainda tão pouco explorado, nós temos potencial pra muitas outras coisas, nós temos tantos minerais sob o nosso subsolo. A nossa produção de proteína animal, nesta região está o município com o maior rebanho do Brasil. A nossa produção de grãos que avança. Transformamos o Pará no maior produtor de cacau do Brasil. Temos um potencial energético de geração de energia gigantesco, somos o maior produtor de energia do Brasil. O Pará é a partir das hidrelétricas de Belo Monte e Tucuruí, tudo muito próximo, tudo aqui. E a gente lamenta profundamente que no período invernoso nós temos a BR-155, a 158 e a Transamazônica em condições intrafegáveis. Nós estamos falando da Transamazônica, são 52 anos que essa rodovia foi aberta e no período invernoso nós temos problemas pra transportar nossas cargas, nós temos problemas pra transportar os nossos doentes, nós temos problemas pra transportar os nossos passageiros e isso não é justo com esta região que tanto entrega. Nós somos responsáveis pelo equilíbrio da balança comercial do país e do Estado e do país. Então é importante que a gente tenha representatividade mostrando lá para o centro das discussões lá em Brasília o que nós representamos e que nos estruturar melhor não é um favor, é uma necessidade, porque se os nossos modais de transporte estiverem funcionando bem, nós temos duas BR que são filhas de PA, elas eram PA e depois foram transformadas em BR, não tem estrutura de BR. E a gente precisa mostrar que se nós tivermos essa infraestrutura, esses modais de transporte funcionando a contento, nós iremos contribuir ainda muito mais, que a dificuldade nós não conseguimos ampliar no volume que podemos e na velocidade que tenho certeza somos capazes, porque nós temos dificuldades estruturais, nós temos dificuldade com portas de aeroportos, por exemplo, se você, e aí já entra a representatividade, se você for ao aeroporto de Carajás, aeroporto de Marabá hoje, frequentar esses dois aeroportos, você vai ver uma transformação significativa. Isso foi o deputado Keniston Braga, morador de Parauapebas, que foi lá junto ao ministro Silva e disse: "Ministro, está aqui, o que esses aeroportos representam para o país, representam para o meu estado e olha as condições precárias de atendimento do usuário do serviço de aviação aérea no nosso país". E ele automaticamente fez esse levantamento e um dia me liga: "Deputado, está na lista de reformas de aeroportos Marabá e Carajás". Está aí um resultado fantástico. Então esse apelo de dizer que nós não tínhamos representatividade, que nós não tínhamos voz em Brasília, que falasse a nossa língua, que fizesse a defesa dos nossos interesses foi o ponto máximo que me fez refletir e aceitar esse desafio, de ir à Brasília e me tornar um. Nós não tínhamos nenhum. Falei, se nós tivermos um, nós vamos... Porque essa região, é bom que se diga, de entregas e tal, então em todo lugar que eu chegava o vereador já estava em parceria com o deputado tal, com o deputado tal, com o deputado tal, o prefeito estava com o deputado tal, não tinha nada. Então eu tive que buscar dentro do que sobrou pessoas de valor, pessoas que entendiam o que eu estava propondo e que a gente pudesse montar um grupo onde a gente tivesse chance de vencer as eleições. Ninguém imaginava, o mais habilidoso dos cientistas políticos imaginaria que o MDB faria nove. Todo mundo dizia vai fazer seis, vai fazer seis, num determinado momento pode fazer sete. O MDB fez nove, fez nove muito em consequência do potencial eleitoral dos candidatos, das pessoas que estavam lá na disputa e também em consequência da ineficiência, da ineficácia dos outros partidos, que não conseguiram ter uma votação alta. Isso foi dando dentro da regra, mais uma, mais uma, mais uma, fazer a primeira rodada, depois a segunda, o resultado do MDB fez nove. Mas adivinha qual foi a minha posição dentro do MDB? A sexta, que eu disse que isso seria, se tivesse cinco a gente estava fora, se tivesse seis a gente estaria dentro. Eu fui o sexto, me tornei o décimo deputado federal mais votado do Estado, tive 126.027 votos e tive voto em todos os municípios do Estado, não teve nenhum que eu não tivesse voto. Mostrando que eles tinham razão quando diziam que eu tinha Parauapebas. Nós tivemos 52.088 aqui, mas contrariou os prognósticos porque eu tive 77.000 votos lá fora. Então eu tive mais votos fora do que aqui dentro, complementando com essa grande votação aqui dentro, deu ao Keniston o mandato de deputado federal. E agora não foi diferente. Eu tive convite novamente para ir para outros partidos. Dialoguei com o governador Jader, com o governador Helder, essa possibilidade de ir para outro partido, analisando todos os cenários. Mas Jarbas, eu tenho uma coisa comigo que vai muito de eu honrar a minha palavra e de eu justificar, a partir da seriedade da condução da minha vida, a minha existência. E lá em Brasília, diferente também dos prognósticos que faziam, "ah, esse cara vai chegar lá, não vai ser notado, lá no meio das feras não vai conseguir ser um grande deputado". Mas já nos primeiros meses eu demonstro para o meu partido quem eu era e o que eu queria lá. E que eu queria ser para o MDB, eu não queria ser para o MDB uma carga, eu queria ser resultado para muitas coisas. E o MDB começa a me desafiar, a me dar muitas missões, aquelas missões espinhosas que ninguém quer, que divide a opinião pública. Eu dizia, pode me dar que eu vou, e eu ia. Assim foi PEC 18, a PEC da Segurança Pública. Assim foram debates inflamados sobre, eu estava no grupo do Paulinho da Força que elaborou o projeto, que elaborou o relatório do projeto da anistia, que era um ponto polêmico, e questões ambientais, eu sempre fui envolvido. E eu fui ganhando notoriedade, hoje eu digo para muitos que eu não sou o deputado do broche. Muitos, todos nós em Brasília usamos um broche na lapela do terno que é para nos identificar, porque você não vai saber o nome de 513. Então quando você chega num ambiente, você automaticamente coloca o olhar na direção da lapela, se o broche da Câmara está lá, você é deputado. Tudo bem, deputado. E quando você ganha notoriedade, você é chamado de deputado pelo nome. E hoje eu sou o deputado Keniston Braga do MDB do Pará. Eu fui muitas vezes à TV Câmara, participar de debates, eu sou um dos autores da primeira lei de minerais críticos, eu sou uma referência no parlamento sobre mineração. O assunto mineração é discutido na casa e o deputado Keniston está automaticamente envolvido, representando o estado do Pará, que é o segundo maior estado minerado do país. Então isso, quando chega aí o início desse ano, para mim é surpresa, uma surpresa muito agradável. Eu sou chamado pela presidência, pela liderança do meu partido para dizer que queria que eu disputasse as eleições para ser presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Casa. Uma missão que normalmente não é dada a nenhum debutante e se esse debutante não tiver expressão, pior ainda. Aceitei o desafio, fui escolhido presidente da CDU, uma relação direta com a minha formação, que é feita, é moldada a partir do conhecimento empírico da vivência, da execução de tarefas em gestões de município, me coloca no centro, dentro da Câmara, no centro das discussões dessa relação do poder público, do governo federal com os municípios. Lá a gente discute matérias importantíssimas que têm uma interferência, uma influência direta nas nossas vidas no município: saneamento básico, mobilidade urbana, moradia. Todo esse resto, essa infraestrutura de cidade é discutida lá. Esse ano nós distribuímos R$ 800 milhões de orçamento, que foi destinado dentro do orçamento da União para que os parlamentares que discutem esse tema com frequência possam fazer essa distribuição. Esse ano nós vamos elaborar o nosso relatório, já com a minha presidência nós vamos elaborar o nosso orçamento, e com certeza este é o momento de justificar a positividade da existência do deputado Keniston, de Parauapebas, do Estado do Pará e do Sul do Pará, lá nessa comissão. Porque tem um ditado paraense que diz: "farinha pouca, meu pirão primeiro". Então eu vou estar lá brigando com unhas e dentes para que esse orçamento da União, que vai ser discutido na Comissão de Desenvolvimento Urbano, ele possa contemplar e resolver parte dos nossos problemas. Não é porque o deputado está lá, é porque essa região tem essa importância. Mas ela tem, essa região agora tem, um deputado falando por ela lá dentro dessa comissão, e melhor ainda, presidindo essa comissão.

 

Jarbas: E Keniston, vamos um pouquinho aqui para uma dúvida minha, não sei se tem conflitos aqui. Na última eleição você fez dobradinha com o Braz, eu não sei se em todas as cidades, mas vocês eram muito unidos, estadual com federal, e deu certo. Agora nesta eleição vocês vão disputar aí a mesma vaga, como é que está a relação entre vocês, vocês estão brigados, vocês estão amigos, ou como é que está?

 

Keniston Braga: Eu não tenho inimizade nem com o Braz e nem com ninguém dentro do ambiente da política. A gente sempre precisa entender que as disputas eleitorais, as configurações das disputas, elas se dão muito em consequência do momento que a gente vive. Naquele momento era muito mais satisfatório e oportuno para o Braz e para o Keniston que nós fizéssemos uma dobradinha. Isso foi muito positivo tanto para mim quanto para ele, porque nós dois vencemos as eleições. Tenho o maior respeito pelo deputado Braz, mas hoje nós estamos em configurações diferentes e isso não quer dizer que nós brigamos. Só que, politicamente, nós temos estratégias diferentes pra nossa convivência dentro do ambiente, desejo a ele toda a boa sorte do mundo, mas eu tenho outros interesses, assim como ele tem outros interesses, e a gente vai tocando a vida.

 

Jarbas: Entendi. E em relação com o Darci? Ficou boa? Nunca esteve ruim? Porque eu vi na outra vez que a gente teve aqui a nossa entrevista, você fez algumas críticas em relação ao Darci, até mesmo pela escolha e tal, e hoje? Águas passaram ou ainda continua com a mágoa?

 

Keniston Braga: As minhas críticas sempre são direcionadas e voltadas para a instituição, para o resultado prático do mandato de alguém, porque eu acredito muito que esta ferramenta pode transformar positivamente, ela precisa ser utilizada. As críticas minhas foram para a condução do governo, a partir da minha saída. Eu já era um cidadão comum, eu não fazia mais parte do contexto da gestão, eu não estava mais ajudando a fazer a gestão. E a partir da minha saída eu comecei a identificar muitas falhas, e foi ali que eu comecei a criticar, mas eu não criticava só no microfone, eu ligava para o Darci porque eu tenho uma boa relação com o Darci até hoje. A minha história de 22 anos em Parauapebas se confunde com a história do Darci também. Nós estamos intrinsecamente ligados em muitos momentos dessa cidade. Se você for olhar, o único momento que nós não estávamos exercendo a mesma atividade no mesmo ambiente foi os últimos dois anos do governo do Darci, que para mim foram desastrosos. Mas eu, as minhas críticas eram com esse posicionamento, de mostrar que não dá para entender que um governo que antes da minha eleição tinha uma aprovação popular gigantesca, tanto que demonstrou isso nas urnas, porque elegeu um deputado federal com 52 mil votos e um deputado estadual com 43, se não me falha a memória. Isso era a população dizendo: "nós estamos concordando com o que este grupo está fazendo pela cidade". E o que a gente viu dois anos depois? Uma verdadeira surra nas urnas. O Aurélio teve 93 mil votos, se não me falha a memória, em cima do candidato escolhido pela máquina, escolhido pelo governo. E isso era a confirmação de que eu estava correto. Porque se o governo continua nessa mesma pegada, com essa mesma aceitação, qualquer pessoa indicada pelo Darci tinha muitas chances. E as minhas críticas foram essas. Mas eu diálogo com o Darci todo momento. O Darci está dentro da minha campanha, me ajudando a construir essa reeleição. Tenho o maior respeito e todo mundo precisa respeitar a história do Darci. Ninguém é prefeito quatro vezes com um histórico ruim. Teve momentos ruins? Teve, todo mundo tem. Todo mundo tem. Não existe um governo que tenha 100% de perfeição, não. Ele vai errar, ele vai tropeçar em alguns momentos. E esses dois últimos anos do Darci foi isso. E eu, como amigo do Darci, como pessoa que tem a liberdade de poder fazer qualquer tipo de intervenção, críticas, e as minhas críticas foram construtivas, eu fiz isso ao Darci, falei, e eu estava certo. Porque o resultado foi esse.

 

Jarbas: E, Keniston, como é que você olha agora o momento de Parauapebas? Nós estamos aí em queda de arrecadação. O governo, se ele não voltar a suar, botar o pé no chão, olhar a cidade com outros olhos, vai se complicar muito. Como é que você olha esse assunto?

 

Keniston Braga: Eu vejo com muita preocupação. Primeiro porque eu moro aqui, né? Eu vejo com muita preocupação. Essa cidade, ela tem uma complexidade diferente de todas as outras. A gestão aqui é muito mais complexa. Ela exige muito mais preparo para ser exercida. Ela exige muito mais a formação de um grupo que ninguém governa só. A formação de um grupo que tenha elementos políticos, sim, mas que, acima de tudo, tenha uma configuração técnica capaz de desvendar esses mistérios. Porque podemos dizer que estamos vivendo uma crise de arrecadação? Podemos. A gente só precisa enxergar quais foram os motivos que nos levaram a viver essa crise. Porque a crise nós já tivemos. Eu vivi muitas crises governando esse município. Eu vivi a crise da Covid. Eu vivi a crise da bolha imobiliária nos Estados Unidos, lá em 2008, 2009. Eu vivi a crise de países europeus que tiveram as suas dívidas públicas reveladas, astronômicas. Então, nós passamos por algumas crises e nós soubemos superá-las, conviver com elas. Talvez, entre todos os municípios paraenses, o que tenha sentido menos o aspecto econômico da tragédia que foi a Covid foi o Parauapebas. Isso tem explicação. Quando eu assumi a Secretaria de Fazenda em 2017, nós tínhamos um orçamento herdado pelo ex-governo que era de R$ 870 milhões. Nós tínhamos uma receita destruída. Nós tínhamos problemas com o cotapé, que foi sendo dilapidado pelo governo do governador Jatene e pacificamente assistido pelo governo municipal. Nós tínhamos uma SEFEM que precisava ser alterada e tinha uma batalha histórica nossa, Parauapebas puxando essa fila, mostrando para os outros municípios minerados que era importante propor ao parlamento a alteração da lei da SEFEM. Nós tínhamos 2% do líquido como receita da SEFEM do minério de ferro e nós começamos a trabalhar tudo isso. Vamos falar do Darci de novo, o Darci foi muito habilidoso, os vereadores da época contribuíram para que essa batalha fosse retomada, que essa discussão fosse retomada e nós saímos de 2017 de 870 milhões e eu entrego a Secretaria de Fazenda em 2020 para assumir a SEGOV em 2021, deixando um orçamento de 2,8 bilhões. Nós triplicamos o orçamento, nós conseguimos rever a receita, nós conseguimos aprovar a lei que alterou a regra de distribuição da SEFEM, nós saímos de 2% do líquido para 3,5% do bruto e mais meio para municípios afetados por estruturas, por rodovias e tal. Nós saímos de uma arrecadação naquela época em torno de 20 milhões por mês para uma de 120. E o que você precisa entender para fazer gestão nesse município? Primeiro a característica do crescimento acelerado, sempre está se impondo à gestão desafios, porque todos os anos, quando você muda de um ano para o outro, você percebe o aumento na necessidade do número de vagas nas escolas municipais, de leitos em hospitais, de asfalto, de saneamento, tem sempre muito. Qualquer projeção que se faça nesse município a longo prazo, e esse longo prazo for oito anos, por exemplo, em dois, três anos esse planejamento está exaurido, porque ele desafia a todo momento isso. E nós precisamos ter o cuidado, e quem conduz a economia, quem conduz as finanças do município precisa ter o cuidado de observar o todo, porque esse município, a receita desse município sofre uma interferência direta do mercado internacional. O preço da commodities, que é a nossa principal matriz econômica, que é o minério de ferro, se ele cai lá, nós sentimos aqui. Se os chineses espirram lá, a gente gripa aqui. Então tem que ter o olhar para isso, e outra coisa, entender que nós não somos mais uma cidade que pode depender só da exploração do minério de ferro. Nós temos que diversificar essa economia. Nós temos que buscar alternativa, e foi isso que eu estou fazendo lá em Brasília, quando a gente cria a lei dos minerais críticos e estratégicos, a primeira lei dos minerais críticos e estratégicos do Brasil, é prevendo que esta cidade que nasceu abençoada, que tem sob seu subsolo nióbio, ferro, cobre, ouro, manganês, a gente precisa melhorar o ambiente da mineração do nosso país, dando segurança aos empresários que exploram minério, dando segurança jurídica, para que esse resultado possa ser verticalizado, a gente possa ter uma produção. Por exemplo, nós temos uma produção aqui de pedras preciosas. Onde foi que você ouviu falar, por exemplo, eu não quero, eu não acho que o governo é feito de uma pessoa, eu não acho que existem superpoderes em ninguém.

 

Jarbas: É feito de quem?

 

Keniston Braga: O governo é feito de muitas pessoas, de muitas mãos, mas basicamente de pessoas que tenham sensatez, que tenham equilíbrio, que conheçam tecnicamente sobre gestão pública. Não é um Keniston, são várias pessoas com a configuração de um Keniston, melhores que um Keniston, é que fazem um governo ter uma passagem, ter uma execução bem sucedida. Mas quem está no comando, quem está no alto da escala, que está lá no alto dessa hierarquia, tem que ter equilíbrio, tem que ter conhecimento, porque como é que você vai determinar que se execute determinada ação se tu não conhece do todo? Então nós estamos muito, nós estamos como um barco à deriva, com dificuldade de todas as ordens, torço muito que isso seja revertido, porque, repito, qualquer problema que essa cidade passe, ela vai chegar na minha casa, na sua, na casa de todos nós.

 

Jarbas: E, Keniston, nas últimas eleições nós tivemos o prefeito Darci apoiando você, mas o Braz, e deu certo essa estratégia. Hoje nós temos você federal e o Braz estadual. Não, o Braz é resultado da eleição, desculpa. E aí, agora, em próprias palavras, o prefeito não repete essa receita que deu certo, ele não tem nenhum daqui de Parauapebas estadual, e o que tem federal, o candidato, que também é federal, é de fora. Como é que tu olha? Se você fosse o gestor, você faria isso? Não teria ninguém de Parauapebas? Você acha um erro ele não olhar? Ou você acha também até bom, pelo momento que está a política?

 

Keniston Braga: Não, eu nunca vou pensar inclusivamente nos meus interesses. Eu acho que a gente precisa evoluir politicamente. Eu falei isso no início das nossas conversas aqui, das nossas entrevistas, que nós temos potencial para ter representantes daqui. E esta cidade, que tem mais de 300 mil habitantes, tem 200 mil eleitores, ele tem potencial para eleger deputado federal e deputados estaduais. E o que acontece hoje, no ambiente dessa disputa, é exatamente o reflexo do total desequilíbrio que o governo tem. Tanto faz desequilíbrio político, como desequilíbrio administrativo. Ele não está tendo condições de enxergar dentro dos seus próprios quadros políticos, parceiros políticos, pessoas em condições de vencer as eleições. Porque tu vai ver dez candidatos hoje aqui dentro, faça uma análise e vê quem, de fato, tem chance de se eleger. Veja quem tem possibilidade de ir vencer as eleições e representar esse município, representar o Estado a partir desse município lá em Brasília. Nós temos configurações de candidaturas que estão sendo criadas pelo grupo do governo que tem essa intenção de tirar voto do deputado Keniston. E a possibilidade disso é esdrúxula, isso é um contrassenso, é o momento da gente coadunar forças, não necessariamente tem que ser comigo, se eu sou considerado um político de oposição ao atual governo, a partir do entendimento de como se faz política, nós temos que criar elementos internos, mas está tão fraco, está tão desorientado que não consegue construir candidaturas, e as que são, teoricamente, ligadas ao governo já estão se afastando, porque eles estão com medo de receber das urnas o reflexo da próxima gestão.

 

Jarbas: Enquanto isso, nesse mesmo lugar que você está, o prefeito prometeu aqui, ao vivo, que em três meses estamparia todos os buracos de Parauapebas, o que foi que deu de errado, Keniston?

 

Keniston Braga: O que deu de errado foi... Eu estava nesse dia, Jarbas, assistindo o teu podcast, quando o nosso ilustre prefeito estava aqui, ainda candidato, e eu estava do lado de três amigos que estavam torcendo muito pela vitória do Aurélio, eles estavam muito revoltados com o que estava acontecendo naquele momento e estavam torcendo pela vitória do Aurélio, e quando o Aurélio falou aquilo, a gente estava na casa de um deles, dialogando, tomando um café, conversando e assistindo o podcast, porque era um momento eleitoral e eu me interesso por todos os aspectos de uma eleição, mesmo não fazendo parte daquela disputa, eu acompanhei isso, e eu estava lá com esses três amigos. Quando o Aurélio falou isso, esses três amigos se comportaram como eu quando o Flamengo faz um gol no Maracanã: "esse é o meu prefeito, tá vendo? Esse cara vai resolver". Quando a euforia baixou, eu olhei para os três e falei assim, ó: "ou ele está falando uma coisa que ele não conhece, ou ele está mentindo". Porque quando você fala, afirma uma coisa que você não conhece, você não está mentindo, simplesmente você não conhece. Mas quando você conhece e afirma uma coisa que você sabe que é impossível, você está mentindo. Porque, olha, eu tecnicamente aqui vou fazer uma analogia: se você quiser tapar todos os buracos dessa cidade, você tem que pedir para todo mundo ficar em casa durante três meses, botar uma tranca, uma cancela na entrada da cidade e impedir que as ruas sejam utilizadas, certo? Você tem que fazer isso no período do verão ainda. Talvez você consiga tapar todos os buracos, mas na hora que você liberar, os buracos vão surgir. O que você tem que ter é uma estrutura de recuperação, e naquele momento a malha viária estava muito ruim, não pior do que hoje, hoje está muito pior, mas naquela época ela estava ruim. Mas se você monta uma estratégia, você pega e contrata quatro empresas, divide essa cidade em quatro pedaços, e aí você começa a atacar a partir da periferia para o centro dela, muito depressa você ia ter os buracos da cidade sob controle, não todos tapados. E o que deu errado foi isso: primeiro eu não sei como fazer essa estratégia; segundo, eu não tenho uma equipe técnica capaz de construir contratos com a rapidez e a velocidade que o problema exigia. E aí eu começo a falar, falar, tropeçar na língua, falar besteira, e a contradição vem, porque quando o elemento vontade se encontra com a verdade, nem sempre o resultado é o que a gente espera, e o que a gente está vendo é exatamente isso, o que se disse era impossível. Todos nós, quem tem a menor sensibilidade, quem tem o menor conhecimento de gestão pública sabe que aquilo era impossível, aquilo era uma falácia, e agora se encontrou com a realidade, mas se encontrou com a realidade de uma forma pior ainda, porque nem se resolveu como se deveria resolver, e se agravou ainda mais o que existe. Então nós não temos verdade, e aí é onde está dando errado. E dificilmente, aí nós temos que olhar os elementos: receita caindo, falta de diálogo político, porque o governador, com a melhor das intenções veio aqui depois das eleições, e disse que queria ajudar o município, mas a ajuda foi pontual e pequena, porque poderia ter sido maior e mais abrangente, se tivesse dado seguimento nesse diálogo mostrado que a dificuldade daquele momento exigia uma parceria com o governo. O que a gente viu? A gente viu aí as máquinas das empresas contratadas pelo governo, tapando alguns buracos aí na PA, e nós continuamos com a periferia intrafegável.

 

Jarbas: E Keniston, recentemente, eu não sei se você chegou a anotar isso, o governador esteve aqui, quando Curionópolis fez aniversário, o Parauapebas faz na mesma data, ele esteve em Curionópolis, mas o Helder não veio em Parauapebas, você acha que ele está...

 

Keniston Braga: Eu não fiquei sabendo, assim, eu vi imagem do governador lá no município de Curionópolis.

 

Jarbas: Ele estava no palco, mas ele não veio aqui, o que você acha? Tem que ter escolhido o Aurélio?

 

Keniston Braga: Não, o governador Helder é um político de alta estirpe, um político que atingiu níveis para a idade dele que são muito difíceis de atingir. Ele atingiu um nível de excelência, de conhecimento político, de resultados positivos que é muito difícil, e o governador, ele está alheio a isso. Ele quer ajudar Parauapebas, mas como quer ajudar? Eu quis ajudar quando fui gestor em muitos aspectos, porque se tu for olhar aqui, por exemplo, vou te dar um exemplo da importância do governador Helder para a nossa região e para o nosso estado. Nós queríamos nos separar anos atrás. Por quê? Porque a gente tinha uma relação com o centro do poder totalmente distante. A gente só via governador aqui, às vezes, no período da eleição. O Helder deu para Parauapebas a primeira Usina da Paz fora da região metropolitana de Belém. Depois da minha eleição, eu o convenci de que uma só não era suficiente. Está sendo erguida a segunda Usina da Paz lá. E aí vieram obras, reformas, construções de escola, de várias estruturas do governo que foram aplicadas aqui. Cheque Sua Casa, agora o Cheque Pecuária, auxílios que estão lá. Agora, cara, se nós não tivermos a certeza, se nós não tivermos a consciência de que o prefeito, seja ele quem for, precisa tirar a bunda da cadeira e ir até Belém, levando debaixo do braço um plano e não uma gracinha. A gente tem visto muito isso. Usando momentos importantíssimos de aparição do lado do governador para fazer a gracinha. Ele precisa ir a Belém, ele precisa ir à Brasília, usar os parlamentares do estado. Se ele não quer usar o Keniston, não tem problema, mas use os outros que ele tem boa relação. Vá até os ministérios. O governo federal tem mais de 700 programas ativos. E para serem acessados, eles precisam ser minimamente provocados. Você tem que ir lá, inscrever o teu município nos programas, participar. E o governo federal tem sido, sim, com todas as dificuldades, mas tem tido uma porta aberta para que os municípios possam acessar. Mas o que acontece no final? O orçamento é distribuído de forma igualitária a partir da densidade populacional. A gente briga por isso, vai lá e escolhe e decide. Na hora do remanejamento, lá no final do ano, o Norte do Brasil é quem mais perde recursos, porque não está usando, porque não teve habilidade para acessar esses recursos. E hoje, isso é uma condição intrinsecamente existente aqui no município de Parauapebas: inoperância.

 

Jarbas: E, Keniston, você fala muito aí, o grupo do Aurélio, em crítica a você, fala assim: "ah, o Keniston não trouxe muita coisa para Parauapebas. Tirou muito voto daqui e nunca trouxe". É, isso é verdade ou é falta do prefeito esquecer as brigas do passado e falar que é isso? Vamos se ajudar.

 

Keniston Braga: Eu sou caluniado desde o começo, né? Primeiro, eu vou prender, vou mandar prender porque era o maior ladrão da cidade, quebrou a cidade e os meus números mostram o contrário. Até hoje eu estou solto. Não tenho um único processo ou uma única denúncia no Ministério Público que me acuse de absolutamente nada, porque não tem prova. Porque não tem prova, porque isso não é verdade. E, se o meu mandato não é tão presente aqui, não é culpa minha. Mas ele tem, sim, resultados. O pessoal do Nova Vitória, por exemplo, quando eu estava em campanha, eles estavam sob ameaça do despejo. Eu fui lá e resolvi aquele problema. A ameaça do despejo eu eliminei, porque eu mostrei para o INCRA que aquela área era área pública e que eles tinham totais possibilidades de transferir a propriedade dessa área para o governo municipal. Está lá, vai lá no cartório. Veja a quem pertence essa área. Agora, o que está faltando? Porque isso se deu já no finalzinho do governo do Darci. Hoje o governo atual precisa ir lá, distribuir, entregar os títulos para os moradores, promover, descobrir onde estão as áreas públicas, fazer escola, fazer postos de saúde, melhorar o arruamento, melhorar as estruturas, fazer uma praça. Isso que ele precisa. Mas sabe o que ele fez depois das eleições? Ele foi lá dizer que eu era mentiroso, que eu não tinha resolvido nada. O que eu me propus a fazer, eu fui lá e resolvi. Está lá. Pergunte para aquelas pessoas. Depois que nós fizemos o evento onde o INCRA repassa oficialmente a titularidade daquela área para o município, quantas vezes eles receberam o oficial de justiça dizendo que daqui a pouquinho eles iam ser despejados? Nada. Você lembra da história das casas da etapa 9 de Nova Carajás? Viviam sob ameaça do despejo. Assim que nós vencemos as eleições, eu fui até o ministro Jader e mostrei toda aquela realidade. O ministro Jader se convenceu. Está sob ameaça de despejo de novo? Não. Foram ações políticas que transformaram realidade ruim. Tem aí uma unidade móvel que eu acabei de saber que não está sendo nem usada. Uma UOM, uma unidade móvel odontológica. Está lá, uma parada novinha, não está sendo usada porque foi o deputado que deu. Eu já mandei mais de 13 milhões de reais. Se não me falha a memória, eu não estou com esse dado aqui agora. 13 milhões de reais. Saúde, educação. Isso só para a prefeitura. Porque eu mandei 2 milhões e meio de reais distribuídos em esporte e cultura. Instituto Idesc, Instituto Coração Valente, Instituto Samurai Zen. Todos os anos eu mando recursos para manutenção e ampliação das estruturas no IFPA da nossa cidade, no IFPA. Acabei de alocar e destinar 500 mil reais para o UFRA. Mandei recursos para o município comprar tratores. Já comprou 4 e 7 implementos, tem dinheiro para comprar mais 4 e mais 7. Além desses tratores que o município comprou, porque é uma das coisas que eu acho que a gente precisa investir no melhoramento da agricultura familiar do nosso município, eu entreguei mais um para a Onalice Barros, um para a Carimã, um para a Paulo Fonteles, um para a Apa do Gelado. Entreguei, está dentro do território do município de Canaã dos Carajás, mas é muito mais próximo da nossa sede do que outro lugar, a Fazenda da Esperança. Entreguei lá uma usina fotovoltaica para eles, porque entendo a importância social daquele projeto. Entreguei lá para eles um trator, um implemento. Então dizer que o deputado Keniston não trouxe nada e não trabalhou é uma tentativa de ofuscar ou de ocultar a própria incompetência, transferindo para mim culpas que eu não tenho. Agora me permite dialogar com o governo, permita que seus secretários acessem o meu gabinete e vamos discutir a minha ajuda possa chegar com efetividade, porque quem está fazendo gestão não sou eu. Quem sabe quais são as necessidades mais urgentes do município é quem está no comando da gestão. Chame o deputado Keniston para dialogar, para usar os recursos das emendas, fazer como uma grande maioria dos prefeitos da nossa cidade, como o prefeito Godói lá de Itupiranga, como o prefeito René, a prefeita Majurri lá de Floresta do Araguaia, o prefeito Fabrício lá de São Félix do Xingu, o Mussum de Santa Maria das Barreiras, o Vandinho de Água Azul do Norte. Faça como esses prefeitos, chame o deputado, diga quais são as suas dificuldades, porque eu sou daqui, eu fui eleito para representar prioritariamente esta região e eu vou andar em todas essas cidades de cabeça erguida, porque em todas elas eu cumpri o meu papel, inclusive aqui com toda a dificuldade que foi imposta e que é imposta. Ah, mas eu posso mandar? Posso, como mandei, mas não é muito mais efetivo que a política pública chegue com mais efetividade aonde está mais necessário, se eu tiver a orientação de quem está no comando dela? Não é muito melhor que isso aconteça? Então a culpa não é minha.

 

Jarbas: Entendi. E Keniston, vamos para a avaliação dos pré-candidatos aqui, você já esteve aí nos bastidores, aqui é um bate-pronto. Isso é necessário mesmo?

 

Keniston Braga: É, preciso que assim, ainda mais você que teve muitos bastidores e é bem rapidinho, se alguém que você quiser estender um pouquinho mais, você estenda, tá bom?

 

Jarbas: Tá. Vamos lá, como é que você avalia a Carol Silva?

 

Keniston Braga: Desejo a ela toda boa sorte do mundo.

 

Jarbas: Dr. Dener Oliveira?

 

Keniston Braga: Não conheço, é médico?

 

Jarbas: Advogado.

 

Keniston Braga: Não conheço.

 

Jarbas: Como é que você avalia o Keniston?

 

Keniston Braga: Eu prefiro que as pessoas avaliem, né? Eu trabalho duro e espero que todo mundo faça avaliação do dia a dia do meu trabalho, existem muitas ferramentas para isso e depois chegue a conclusão de me mandar para casa ou de me manter em Brasília.

 

Jarbas: Como é que você avalia o nome do Junior do Macre?

 

Keniston Braga: O Junior do Macre é uma grata surpresa para o processo atual e tenho certeza que vai ser deputado e que nós teremos um grande quadro lá na Alepa representando o Parauapebas.

 

Jarbas: Braz?

 

Keniston Braga: Boa sorte ao Braz.

 

Jarbas: Doutor Filipe?

 

Keniston Braga: Boa sorte ao doutor Filipe.

 

Jarbas: Doutor Malcher?

 

Keniston Braga: Muito potencial. Malcher é um jovem inteligente e que merece uma oportunidade para mostrar esse potencial para todos nós.

 

Jarbas: Nil?

 

Keniston Braga: Boa sorte ao Nil.

 

Jarbas: Hipólito?

 

Keniston Braga: Boa sorte ao Hipólito.

 

Jarbas: Doutor Marcos Vinícius?

 

Keniston Braga: Boa sorte ao Marcos Vinícius.

 

Jarbas: Rafael Ribeiro?

 

Keniston Braga: Boa sorte ao Rafael Ribeiro.

 

Jarbas: Pronto. Keniston, nós chegamos ao fim da nossa entrevista aqui que você pode depois acompanhar no nosso YouTube, a gente vai ter corte aí nas nossas redes sociais. Keniston, boa sorte novamente, nas eleições a gente vai fazer um outro bate-papo e vem de novo aqui arrasar com a gente.

 

Keniston Braga: É sempre uma alegria muito grande estar aqui, reconheço a audiência e o alcance que você conquistou ao longo da trajetória desde o primeiro momento, desde o primeiro evento do Pebas na TV. Pessoas como você que usam esta ferramenta que é importante para solidificar a democracia de maneira correta, de maneira séria, responsável, como se diz, transparente e isenta, é isso que a gente precisa. Aí a gente tem ferramentas como essa atuando a favor da sociedade. É assim que a gente vai melhorar a nossa cidade, melhorar o nosso estado, melhorar o nosso país. Obrigado, Jarbas, obrigado a todos que estiveram até agora nos ouvindo, debatendo com a gente, ofertando opiniões. Vou tentar ler todos os comentários que foram mandados para cá e tentar tirar o melhor proveito disso.

 

Jarbas: É isso aí. Gente, a gente volta na segunda-feira em dois horários, meio-dia e também às 19 horas e você, claro, é o nosso convidado. Keniston, vamos caçar meio de jantar? Bora. Ou tua conta hoje?

 

Keniston Braga: Vamos e bora.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem